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'Ninguém espera que o próximo papa seja um Francisco II', diz dom Odilo Scherer

Arcebispo afirmou que futuro pontífice seguirá preceitos da Igreja Católica: 'ninguém espere um papa a favor da guerra, ninguém espere um papa contra os pobres'

21 abr 2025 - 14h39
(atualizado às 17h07)
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Arcebispo de São Paulo, o cardeal dom Odilo Scherer falou sobre a sucessão do papa Francisco antes de celebrar uma missa em sufrágio ao pontífice na Catedral da Sé, no centro da capital. O líder da Igreja Católica morreu nesta segunda-feira, 21, aos 88 anos.

O cardeal disse que o próximo pontífice deverá seguir os preceitos do Evangelho, mas que cada um tem um perfil. "Um papa não é igual ao outro. Ninguém espere que o próximo papa seja um novo Francisco. Pode até ter o nome Francisco II, mas não será à imagem e semelhança", destacou ele, em entrevista coletiva.

Sobre o sucessor de Francisco, Scherer afirmou que "ser progressista ou conservador não é a preocupação" e disse que o próximo pontífice seguirá os valores da Igreja. "Ninguém espere um papa a favor da guerra, ninguém espere um papa contra os pobres, ninguém espere um papa que não diga aos padres: 'sejam bem formados'. Isso é norma geral. E, portanto, o próximo papa será alguém que vai cuidar bem da missão da Igreja."

O cardeal conclamou as pessoas a acolherem a figura do novo líder católico. "O próximo papa será uma pessoa humana, não um robô. E, portanto, vai governar a Igreja com o seu jeito, o seu caráter, sua personalidade, sua capacidade humana".

Também destacou o aumento da diversidade entre os cardeais. "Ninguém deveria se surpreender se fosse escolhido um cardeal africano para ser papa. Ou cardeal asiático ou novamente italiano. Isso está nas possibilidades", declarou.

"Se isso acontecer, não significa que se voltou somente para a África ou a Ásia, ou que voltou as costas para a América ou que voltou a se centrar na Europa. Não, qualquer um que for escolhido como papa deverá cuidar da Igreja como um todo."

Também refutou que a escolha do novo papa seja eleitoreira e marcada por especulações, como trata o recente filme Conclave, que concorreu ao Oscar. "É a escolha do papa, não de conchavos. Isso é fantasia", afirmou. "Não é uma campanha eleitoral, é uma celebração", completou.

Nesse contexto, disse que a decisão vem de um clima de oração e senso de responsabilidade. "A responsabilidade é pela Igreja, não por um partido, um gosto", pontua.

"A escolha do papa é resultado de um discernimento coletivo. Por isso, tem as chamadas congregações gerais, onde os cardeais livremente analisam a situação da Igreja, falam das situações do mundo, dos desafios , das necessidades. E por aí vão traçando, mesmo sem mencionar diretamente", afirmou.

O arcebispo ainda definiu Francisco como um papa que "se preocupou com periferias do mundo". Diante disso, foi o pontífice que mais escolheu cardeais de fora da Europa.

"Escolheu muitos cardeais de regiões 'periféricas' da Igreja", afirmou. "Para dizer que não estão na periferia da Igreja, mas no coração."

O perfil dos cardeais pode ter influência na decisão sobre o novo chefe da Igreja. Hoje, 108 dos 135 votantes do conclave que definirá o sucessor foram escolhidos por Francisco.

Dom Odilo, nomeado por Bento 16, também fará parte do grupo de eleitores. No conclave de 2013, o brasileiro, hoje com 75 anos, aparecia entre os principais cotados para assumir o posto.

Estadão
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