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Medo da violência é 'sentimento universal' entre brasileiros, mas afeta mais mulheres e classes D/E, diz pesquisa

Levantamento mostrou que 96,2% dos brasileiros acima de 16 anos sentem medo de passar por ao menos uma situação de violência

11 mai 2026 - 10h32
(atualizado às 10h41)
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Os que moram em locais em que sentem presença do crime organizado também são mais vítimas de situações violentas
Os que moram em locais em que sentem presença do crime organizado também são mais vítimas de situações violentas
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A grande maioria dos brasileiros acima de 16 anos sente medo de passar por situações de violência. É o que diz um levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e feito pelo Datafolha, divulgado no domingo, 10. Com relação ao gênero e a classe social, as mulheres brasileiras e aqueles de baixa renda sentem medo mais intensamente do que a população geral. 

A pesquisa apresentou 13 situações de violência aos entrevistados e 96,2% deles disseram sentir medo de passar por ao menos uma delas. O levantamento avaliou, então, que o medo é "um sentimento quase universal, que não se restringe a grupos específicos nem a experiências isoladas, mas estrutura a relação dos indivíduos com o espaço urbano, com seus bens, com o próprio corpo e com o ambiente digital". 

Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do País, em março deste ano.

Os maiores medos relatados pelos entrevistados foram: 

  • sofrer golpe pela internet/celular (83,2%);
  • roubo à mão armada (82,3%); 
  • ser morto durante um assalto (80,7%); 
  • ter o celular furtado ou roubado (78,8%); 
  • ser roubado/assaltado na rua (78,6%); 
  • “bala perdida” (77,5%); 
  • ter a residência invadida (76,1%);
  • e ser assassinado (75,1%).

Em todas as 13 situações listadas, as mulheres temem mais que os homens. Além disso, a forma como as mulheres sentem medo também é diferente: enquanto os homens sentem mais medo de sofrer crimes patrimoniais e eventos violentos de rua, as mulheres também sentem medo disso associado à violência letal, sexual, no espaço doméstico e de terem sua mobilidade cotidiana limitada.

Lula pede que líderes religiosos falem sobre violência doméstica em missas e cultos:

Com relação à classe social, as classes D e E sentem mais medo que a classe A. Por exemplo, enquanto 78,7% dos mais ricos têm medo de serem roubados à mão armada, esse temor atinge 85% dos mais pobres. 

Presença do crime organizado na rotina

A pesquisa também perguntou sobre a presença do crime organizado nos bairros e mostrou que 41,2% dos brasileiros reconhecem que há grupos criminosos ou ligados ao tráfico ou milícias na região onde moram, o equivalente a 68,7 milhões de pessoas. A percepção é maior nas grandes cidades que nos munícipios de interior.

Os cidadãos que dizem conviver com crime organizado em seu bairro também são mais vítimas de violência: 51,1% deles disseram ter sido vítima de alguma forma de violência nos últimos 12 meses, enquanto o percentual cai para 40,1% entre o brasileiro médio. A diferença é um salto de 11 pontos percentuais. 

Fonte: Portal Terra
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