Medo da violência é 'sentimento universal' entre brasileiros, mas afeta mais mulheres e classes D/E, diz pesquisa
Levantamento mostrou que 96,2% dos brasileiros acima de 16 anos sentem medo de passar por ao menos uma situação de violência
A grande maioria dos brasileiros acima de 16 anos sente medo de passar por situações de violência. É o que diz um levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e feito pelo Datafolha, divulgado no domingo, 10. Com relação ao gênero e a classe social, as mulheres brasileiras e aqueles de baixa renda sentem medo mais intensamente do que a população geral.
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A pesquisa apresentou 13 situações de violência aos entrevistados e 96,2% deles disseram sentir medo de passar por ao menos uma delas. O levantamento avaliou, então, que o medo é "um sentimento quase universal, que não se restringe a grupos específicos nem a experiências isoladas, mas estrutura a relação dos indivíduos com o espaço urbano, com seus bens, com o próprio corpo e com o ambiente digital".
Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do País, em março deste ano.
Os maiores medos relatados pelos entrevistados foram:
- sofrer golpe pela internet/celular (83,2%);
- roubo à mão armada (82,3%);
- ser morto durante um assalto (80,7%);
- ter o celular furtado ou roubado (78,8%);
- ser roubado/assaltado na rua (78,6%);
- “bala perdida” (77,5%);
- ter a residência invadida (76,1%);
- e ser assassinado (75,1%).
Em todas as 13 situações listadas, as mulheres temem mais que os homens. Além disso, a forma como as mulheres sentem medo também é diferente: enquanto os homens sentem mais medo de sofrer crimes patrimoniais e eventos violentos de rua, as mulheres também sentem medo disso associado à violência letal, sexual, no espaço doméstico e de terem sua mobilidade cotidiana limitada.
Com relação à classe social, as classes D e E sentem mais medo que a classe A. Por exemplo, enquanto 78,7% dos mais ricos têm medo de serem roubados à mão armada, esse temor atinge 85% dos mais pobres.
Presença do crime organizado na rotina
A pesquisa também perguntou sobre a presença do crime organizado nos bairros e mostrou que 41,2% dos brasileiros reconhecem que há grupos criminosos ou ligados ao tráfico ou milícias na região onde moram, o equivalente a 68,7 milhões de pessoas. A percepção é maior nas grandes cidades que nos munícipios de interior.
Os cidadãos que dizem conviver com crime organizado em seu bairro também são mais vítimas de violência: 51,1% deles disseram ter sido vítima de alguma forma de violência nos últimos 12 meses, enquanto o percentual cai para 40,1% entre o brasileiro médio. A diferença é um salto de 11 pontos percentuais.
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