Governador do Paraná diz que greve de professores contrários à terceirização da gestão de escolas é política e baseada em fake news
Governador disse que a greve é ilegal, formada por 'sindicalistas' e 'engrossada' por professores da Universidade Federal do Paraná; manifestantes protestam contra projeto que tramita na Alep
O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), afirmou nesta segunda-feira (3) que a greve dos professores da rede estadual de ensino é "política, baseada em fake news e ilegal". A declaração ocorre enquanto docentes, estudantes e outros servidores marcham em direção à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para acompanhar a votação do projeto de lei que prevê a terceirização da gestão administrativa dos colégios estaduais.
Para o governador e Secretaria de Estado da Educação (Seed), a adesão à greve "é baixíssima", discurso que vai na contramão da informação repassada pela APP-Sindicato, que representa a classe dos professores. Enquanto o Governo do Estado diz que 87% das escolas paranaenses não aderiram à greve, a entidade aponta que há pelo menos 20 mil pessoas nas ruas do Centro de Curitiba.
Os professores decidiram ignorar a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que suspendeu o início da greve sob multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Apesar dos reveses da Justiça em relação ao movimento dos professores, a APP-Sindicato afirma que manterá a greve e que assiste a uma "forte" adesão dos pais e alunos.
"A greve é ilegal e a Justiça já decretou isso! A adesão é baixíssima, e a maioria dos alunos estão tendo aula normalmente, o que demonstra a maturidade dos nossos professores e diretores em entender que os sindicalistas fizeram um monte de fake news sobre o projeto que está sendo votado", afirmou o governador.
Ratinho Jr. também alegou que a manifestação que ocorre na região central da capital paranaense é "engrossada" com a presença de professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo ele, o setor de inteligência da Polícia Militar (PM) levantou que a maioria dos professores presentes no protesto pertence ao ensino superior.
"A manifestação é muito mais de professores da Universidade Federal [do Paraná] porque estão em greve contra o governo federal e usando essa votação para tentar engrossar a greve das universidades federais", disse o mandatário, que se referiu aos professores como "sindicalistas". "Eles são manipulados por partidos políticos e vamos enfrentar. Estamos confiantes de que esse projeto vai transformar a nossa educação."
A manifestação contrária ao projeto de lei que prevê a terceirização da gestão de escolas estaduais do Paraná teve início às 8h na Praça Santos Andrade.
Procurada pela Banda B, a Polícia Militar (PM) disse que reforçou o policiamento nas imediações da região onde ocorre a manifestação e no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. "A Polícia Militar do Paraná realiza o policiamento, com o reforço necessário para manter a ordem pública e garantir aos presentes o direito a manifestação pacífica", informou.
'Baixa adesão'
A Secretaria de Estado da Educação divulgou ter feito um levantamento sobre a adesão das escolas à greve. Segundo a pasta, "87% das mais de 2 mil escolas da rede estadual estão funcionando normalmente".
A Seed informou na quarta-feira (29) que faltas de professores e funcionários da Educação a partir de segunda-feira (3) terão desconto em folha de pagamento.
A pasta defende que o programa proposto no projeto de lei "tem como intuito otimizar a gestão administrativa e de infraestrutura das escolas mediante uma parceria com empresas com expertise em gestão educacional".
De acordo com a matéria, além da gestão, o programa prevê a terceirização de áreas como limpeza e segurança. Inicialmente, o governo pretende implantar o modelo em 110 cidades, ou seja, cerca de 10% da rede estadual de ensino.
O governo defende, ainda, que o programa só será instalado mediante consulta pública junto à comunidade escolar.
Diante da manifestação, o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSD), determinou que a entrada de pessoas na Casa seja proibida a partir das 11h.
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