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Fórum Social Mundial reúne 92 mil em 6 dias em Belém

1 fev 2009 - 22h23
(atualizado às 22h36)
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Lucy Silva

Direto de Belém

A edição deste ano do Fórum Social Mundial, realizado em Belém (PA), foi encerrado neste domingo com um conjunto de assembléias que lembraram todas as dicussões ocorridas durante o evento. Cerca de 92 mil pessoas participaram dos seis dias de atividades.

Participantes desmontam acampamento na Universidade Federal Rural do Pará após encerramento do evento
Participantes desmontam acampamento na Universidade Federal Rural do Pará após encerramento do evento
Foto: AFP

Para a coordenação do FSM, a programação foi de encerramento, mas a luta por um outro mundo possível está só começando. "Os comitês do Fórum vão continuar atuando nos locais onde se constituíram, pois o objetivo principal é fortalecer esses processos que se construíram aqui", disse a coordenadora, Aldalice Oterloo.

O Comitê Internacional do Fórum Social Mundial permanecerá em Belém e deve se reunir, ainda esta semana, para decidir qual será a próxima sede do Fórum. "Temos algumas solicitações para a África, Indonésia, Peru, mas há uma forte tendência que ele aconteça novamente na América Latina", adiantou Oterloo.

Os seis dias da programação envolveram seminários, mesas redondas, oficinas sobre temas que envolveram direitos humanos, criminalização de movimentos sociais, crise econômica e mudanças climáticas. Ao todo 2,4 mil atividades ocorreram nos três espaços destinados ao evento em Belém: Universidade Federal do Pará, Universidade Rural da Amazônia e Núcleo Pedegógico Integrado.

Entre as atrações importantes, esteve o encontro histórico entre quatro presidentes sul-americanos com o presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva: Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai), com objetivo de discutir medidas para contornar os impactos da crise econômica mundial na América Latina. "Temos diferenças sim, mas viemos aqui para mostrar que podemos resolvê-las sentando em uma mesa de negociação", disse Lula.

Mas em meio a tantas atrações, muita gente se queixou da dificuldade de informação e do cancelamento de algumas programações. "Perdi uns quatro eventos não só pelo cancelamento, mas devido a distância entre os pontos de realização dos mesmos. E quando cancelavam alguma coisa não aparecia ninguém para dar nenhuma informação", reclamou a cineastra Juliana Meireles, que veio de São Paulo para acompanhar as discussões relacionadas à energia.

Durante os dias de realização do Fórum Social Mundial, Belém recebeu pessoas vindas de todas as partes do Brasil e do mundo, de diferentes raças, crenças, costumes e culturas. O evento abriu espaço para quem quisesse reivindicar seus direitos.

O tema Amazônia foi um dos mais debatidos, principalmente pela questão climática. Mais de 1,3 mil índios de várias etnias de norte a sul do país, vieram clamar pela salvação da floresta e de suas tribos. "Não sabemos viver com energia. Não construam hidrelétrica na nossa aldeia. Os peixes ficam contaminados, a água fica contaminada, as àrvores morrem", alertou o líder indígena paraense, Akiaboro Kayapó.

Puxado pelo Fórum Social Mundial, outros onze encontros paralelos também aconteceram no mesmo período para discutir questões como saúde, justiça, educação e religião. Um dos convidados ilustres foi o teólogo Leonardo Boff, que defendeu a criação de uma política ecologizada para defender o planeta. "Os próximos candidatos a presidência terão que levar em conta as questões ecológicas e a Amazônia. Nós temos que ecologizar a política. A floresta é uma cidadã que tem direitos a serem respeitados", disse o teólogo.

Apesar das reclamações com relação à organização, a coordenação do evento comemorou os resultados. "No geral, mesmo com todas as dificuldades e problemas atingimos a nossa meta, até ultrapassamos, pois prevíamos 85 mil pessoas e tivemos 92 mil, sendo que 1,8 mil eram só voluntários", finalizou a coordenadora do Fórum Social Mundial, Aldalice Oterloo.

Fonte: Terra
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