Estudo: população da Rocinha cresceu 76,6% em 9 anos
Desde 2000, ano em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou a última contagem de moradores da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, até hoje, houve um aumento de quase 45 mil pessoas, aproximadamente 76,6%, chegando a um número total de 100.818 habitantes, além dos imóveis terem chegado 38.029 mil unidades, segundo levantamento da Casa Civil.
O secretário-chefe do órgão, Regis Fichtner, associou o crescimento desordenado da Rocinha a governos anteriores, que não deram a devida atenção que a favela merecia. "Faltou presença do Estado, com certeza. Tanto para regular a ocupação desordenada que aconteceu lá, especialmente do ano 2000 para cá, quanto para a prestação de melhores serviços ali", afirmou. "Então, o que queremos é corrigir isso agora, queremos que o Estado entre mais, para melhorar a vida das pessoas."
Já Ocimar Santos, assessor da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, dá outra explicação para o crescimento demográfico da favela. "Acredito que o crescimento populacional foi gerado pelas desigualdades sociais. Os mais pobres procuram a Rocinha, pois o custo da moradia é mais barato", disse. "Muitos nordestinos vêm para cá e depois de se estabelecerem trazem parentes a amigos. Assim, a comunidade vai crescendo."
Fichtner explica ainda o porquê da realização da pesquisa e a origem das verbas utilizadas nela. "Utilizamos uma parte dos recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que é destinada a projetos sociais, para fazermos esse censo, porque tínhamos que conhecer melhor a comunidade por dentro, até para melhorar o nível de atendimento social dessas pessoas. Agora temos uma radiografia completa da comunidade", afirmou. "Com isso, a gente pode melhorar a prestação de serviços do Estado, além de ser também um instrumento muito bom para pesquisa universitária, sociológica, para as pessoas entenderem melhor como é que vivem os moradores nas comunidades."
José Britz, presidente da Associação de Moradores e Amigos de São Conrado (Amasco), não reclama desse crescimento populacional. "A mão de obra que atua no bairro de São Conrado é praticamente toda da Rocinha. Casas, hotéis e prestadores de serviços buscam nos moradores de lá os seus funcionários", disse.
Ainda de acordo com Britz, mantido o atual ritmo, o crescimento da Rocinha acarretaria queda na qualidade de vida dos moradores da favela. "O crescimento da Rocinha chegou ao limite. Já não interessa aos moradores que haja um aumento no tamanho", afirmou.