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ONU já tinha cortado empresa que atestou barragem em MG

Grupo alemão foi suspenso da validação de projetos por supostamente não garantir a imparcialidade das suas ações

5 fev 2019
03h10
atualizado às 08h02
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A Tüv Süd, empresa que atestou a estabilidade da barragem de Brumadinho, já foi suspensa pela ONU de trabalhos no setor de projetos ambientais. Minutas de uma reunião ocorrida em março de 2010 e obtidas pelo Estado revelam que a empresa alemã não atendeu aos requisitos básicos exigidos pelas Nações Unidas e teve de fazer correções para voltar a atuar nos projetos internacionais.

Na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo cumpriu dois mandados de prisão temporária na capital paulista contra os engenheiros André Yassuda e Makoto Namba, que teriam prestado serviços para a mineradora Vale por meio da empresa alemã Tüv Süd e atestado a estabilidade da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Yassuda era diretor da Tüv Süd. Já Namba atuava como engenheiro, sem cargo de direção.

Brumadinho - Escombros de casas e máquinas são encontrados no local da tragédia. 
Brumadinho - Escombros de casas e máquinas são encontrados no local da tragédia.
Foto: Corpo de Bombeiros de MG/Divulgação / Estadão Conteúdo

Numa reunião no dia 26 de março de 2010, em Bonn, o Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto "suspendeu a entidade operacional designada, TUV SUD Industrie Service GmbH (TÜV SÜD)" da "validação de projetos e verificação de redução de emissões".

Nas minutas, a decisão apontava que a suspensão teria "efeito imediato". Dois foram os fatores que pesaram. Um deles foi o fato de haver "opinião positiva de validação", mesmo quando existiam preocupações sobre o projeto. O Conselho do painel da ONU ainda indicou que essa situação "coloca em dúvida" e habilidade da empresa dar uma "opinião sólida que não fosse influenciada por pressões indevidas".

Outro problema teria sido a falta de experiência suficiente de alguns de seus funcionários. "O Conselho avalia que a experiência de três meses de trabalho na área técnica com uma dimensão setorial não garante confiança nessa competência", indicou a minuta.

O Conselho ainda recomenda que se faça uma "análise completa das causas para identificar ações corretivas adequadas para lidar com as áreas de preocupação do Conselho e garantir um trabalho de verificação independente e de boa qualidade".

Alguns meses depois, a empresa voltou a receber o credenciamento da ONU para poder operar. Mas essa não foi a única vez que a TUV SUD se deparou com problemas.

Naquele mesmo ano, ONGs haviam protestado diante da ONU por conta do projeto 2569, entitulado: Reforestation as Renewable Source of Wood Supplies for Industrial Use in Brazil. O projeto de reflorescimento era da Plantar S.A. Mas fiscalizado pela TUV SUD. Para os ativistas, o reconhecimento do projeto em troca de créditos de carbono não poderia ser feito, diante da "dívida" ambiental que a empresa mantinha.

Em silêncio desde o início da crise, a TÜV SÜD se limitou a publicar um comunicado em que se diz "profundamente afetada" pela tragédia de Brumadinho. De acordo com a empresa, a TÜV SÜD fez duas avaliações em nome da Vale, em junho e setembro de 2018.

A companhia também indicou que os dois funcionários eram "especialistas reconhecidos em seus campos". "Diante das investigações, a TÜV SÜD não pode comentar sobre o caso neste momento", indicou, garantindo que a empresa está colaborando com as autoridades.

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Estadão

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