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Em livro, Bento XVI critica proposta de derrubar celibato de padres

Proposta foi discutida na Igreja Católica em outubro, no Sínodo da Amazônia, e deve ser analisada pelo papa Francisco

13 jan 2020
07h16
atualizado às 07h56
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CIDADE DO VATICANO - Em um livro escrito com um cardeal conservador, o papa emérito Bento XVI defende o celibato dos sacerdotes da Igreja Católica. A obra parece ser um apelo estrategicamente pensado para que o papa Francisco não mude as regras sobre o tema.

Bento XVI escreveu o livro Das profundezas dos nossos corações com o cardeal Robert Sarah, de 74 anos, prelado guineense que chefia a Congregação do Vaticano para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Trechos da obra foram publicados neste domingo, 12, pelo jornal francês Le Figaro. O Vaticano não divulgou informações sobre o livro, que deve ser publicado nesta segunda-feira, 13.

Em sua parte do livro, Bento XVI diz que o celibato - que se tornou uma tradição estável na Igreja há apenas 1.000 anos - carrega "grande significado" porque permite que um sacerdote se concentre em sua missão. Ele diz que "não parece ser possível realizar as duas vocações (sacerdócio e casamento) simultaneamente".

Em outubro, o documento final do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia propôs que homens casados em áreas isoladas pudessem ser ordenados sacerdotes, o que poderia levar a uma mudança significativa na secular disciplina de celibato da Igreja.

O papa Francisco analisará o tema, além de outras propostas discutidas durante o Sínodo, como o meio ambiente e o papel das mulheres, em um documento próprio, conhecido como Exortação Apostólica.

Em uma introdução conjunta, Bento XVI e Sarah dizem que não puderam permanecer calados sobre o sínodo de outubro, que levou a confrontos entre meios de comunicação católicos progressistas e conservadores, ressaltando a polarização na Igreja de 1,3 bilhão de fiéis.

Aposentadoria

Em 2013, quando se tornou o primeiro papa em 700 anos a renunciar, Bento XVI prometeu permanecer "escondido do mundo". Aos 92 anos, ele atualmente vive no Vaticano e sofre problemas de saúde.

No entanto, ele deu entrevistas, escreveu artigos e contribuiu em alguns livros. A quebra da promessa foi recebida com festa pelos conservadores, já que alguns deles não reconhecem a legitimidade de Francisco.

Massimo Faggioli, teólogo da Universidade Villanova, nos Estados Unidos, classifica como "uma violação grave" do papa emérito, que jurou "reverência e obediência incondicionais" ao seu sucessor. /REUTERS

Estadão
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