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'Ela foi ameaçada de morte com a arma caso não tirasse a roupa', diz irmã de adolescente estuprada por PM em SP

Após investidas rejeitadas, teriam anunciado o roubo, feito ameaças de morte e separado a adolescente dos amigos

25 ago 2026 - 16h33
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Willian e Victor Miguel foram presos em flagrante na segunda-feira, 24
Willian e Victor Miguel foram presos em flagrante na segunda-feira, 24
Foto: Reprodução/Polícia Civil

Alerta de gatilho: Esta reportagem contém relatos de abuso sexual. O conteúdo pode ser sensível para algumas pessoas.

Uma adolescente de 17 anos relatou ter sido ameaçada com uma arma e estuprada por policiais militares, presos em flagrante nesta segunda-feira, 24, na Zona Leste de São Paulo. Segundo o relato da vítima, um dos agentes teria apontado uma arma para ela enquanto os amigos eram afastados do veículo e ameaçado matá-la caso não obedecesse.

Os policiais foram identificados como Victor Miguel Sebastiao da Silva e Willian Santana Santos. Eles são suspeitos de roubar três jovens depois de oferecerem uma carona e levá-los para uma região de mata próxima ao Parque Jacuí/Pantanal.

De acordo com o registro da ocorrência, que o Terra teve acesso, as duas jovens, de 17 e 18, e um amigo de 19 anos, estavam em uma adega quando aceitaram uma carona de dois homens que estavam em um Volkswagen Fox cinza. Os suspeitos os levaram até um McDonald's e, depois, ofereceram outra carona, desta vez até a casa das vítimas.

Durante o trajeto, segundo os relatos, os homens passaram as mãos nas pernas das jovens. Elas recusaram as investidas. A partir daí, o comportamento dos suspeitos teria mudado. Willian teria sacado uma arma e anunciado o roubo.

Ameaças de morte durante cerca de 40 minutos

As vítimas afirmaram que foram impedidas de deixar o carro e permaneceram sob ameaças durante cerca de 40 minutos. Segundo a irmã da adolescente, os suspeitos ameaçaram atirar e matar os jovens e disseram que dariam uma coronhada no rapaz.

"Durante o trajeto, as vítimas foram ameaçadas e coagidas. Eles ameaçaram atirar e matar, além de dizerem que dariam uma coronhada em um dos amigos. Em determinado momento, chegaram a dizer que a 'sorte delas é que eles estavam de bom humor'", relatou a familiar ao Terra.

Os jovens foram levados para um terreno baldio em uma área de mata. Enquanto choravam, Willian teria ordenado que a amiga e o rapaz saíssem do veículo e se afastassem.

Nesse momento, segundo o relato, Willian teria apontado para a adolescente e dito: "Eu quero ela".

Victor Miguel teria levado os dois amigos para longe do carro, enquanto a adolescente permaneceu com Willian.

Segundo o familiar, a jovem relatou que foi ameaçada de morte com uma arma caso não tirasse a roupa e mantivesse relações sexuais com um dos suspeitos.

Os outros dois jovens disseram não ter sofrido violência física ou sexual, mas permaneceram afastados do veículo, "chorando e desesperados" enquanto a adolescente estava com o policial.

Policiais não disseram que eram agentes

Ainda segundo a familiar, os suspeitos inicialmente não apresentavam comportamento que levantasse suspeitas. Eles não teriam informado que eram policiais militares nem perguntado a idade das vítimas. Victor Miguel teria se apresentado pelo nome falso de "Caio".

"Pelo que elas relataram, eles aparentemente estavam sóbrios e, inicialmente, não demonstraram nenhum comportamento que levantasse suspeitas. Inclusive, no primeiro contato, aparentaram ser pessoas tranquilas e confiáveis", afirmou.

As vítimas perceberam que a situação havia mudado depois das investidas físicas.

"Elas começaram a perceber que havia algo errado quando um deles começou a tocar na perna das meninas e elas deixaram claro que não queriam aquele tipo de contato. A partir daí, perceberam que o comportamento deles havia mudado e que a situação estava tomando outro rumo", disse a irmã.

A reportagem buscou posicionamento da Polícia Militar, mas não obteve resposta.

Jovens conseguiram pedir ajuda

Após a ação, os suspeitos teriam abandonado as vítimas em uma área de matagal próxima ao bairro onde moravam. Os jovens conseguiram pular um muro e, ao chegar a uma avenida, encontraram uma viatura policial e pediram ajuda.

As vítimas também conseguiram memorizar parte da placa do veículo. A partir da informação, a polícia consultou câmeras de radares, identificou o trajeto do carro e acompanhou a movimentação dos envolvidos.

Os três jovens fizeram reconhecimento pessoal e apontaram os dois policiais como participantes da ação. A família afirma que a jovem continua em estado de choque e teme represálias.

"Ela ainda está em estado de choque com tudo o que aconteceu. Saber que eles foram identificados e presos traz um pouco de alívio e a sensação de que a Justiça está começando a ser feita, mas o trauma ainda é muito recente e ela continua bastante abalada", afirmou a irmã.

Em caso de violência contra a mulher, denuncie

Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.

Saiba mais sobre como denunciar aqui.

Fonte: Portal Terra
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