Edifício desaba em BH; mais 3 construções correm risco
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
Um dos quatro prédios que ameaçavam cair na rua Laura Soares Carneiro, no bairro Buritis, em Belo Horizonte (MG), desabou por volta das 6h desta terça-feira. O Vale dos Buritis, localizado na região oeste da capital, havia sido condenado em outubro do ano passado pela Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Como a construção já havia sido desocupada, não houve feridos, e os escombros não chegaram a atingir outras construções.
No domingo, os moradores dos outros prédios tiveram que evacuar seus apartamentos por causa do risco de desabamentos. Com a chuva, a situação havia piorado ainda mais no edifício Vale dos Buritis, que mesmo com escoramentos, sofreu a queda da parte frontal durante a semana. Os moradores brigam há mais de 10 anos com a construtora, a Estrutura Engenharia e Construção, por falhas na estrutura.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros já haviam solicitado à Justiça autorização para a demolição do prédio, que, segundo a construtora, apresentava rachaduras por falta de drenagem na rua, o que seria de responsabilidade da prefeitura. Ontem à tarde, o juiz Alexandre Santiago, da 16ª Vara Cível de Belo Horizonte, determinou a demolição da construção.
Os outros três prédios ameaçados são afetados pela inclinação do Vale dos Buritis. A chuva tem piorado a situação e um terreno próximo, que seria usado para a construção de um novo prédio, sofreu um desmoronamento. Dois blocos do condomínio Art Vivre ainda correm risco de desabar. O terceiro prédio, que está na mesma situação, foi evacuado ontem à tarde.
"De uma certa forma, a gente comemora um desabamento sem vítimas. Nós lutamos para que fosse feita uma demolição controlada. Não foi possível. Ainda bem que Deus nos ajudou que (o prédio) caiu sem machucar ninguém. Agora nossa preocupação continua, porque o risco aqui no Buritis não acabou. Nós temos dois prédios aqui em risco, então a nossa preocupação permanece e pode até aumentar em função do que nós vamos ouvir dos técnicos especialistas", disse o coordenador da Defesa Civil municipal, Alexandre Lucas.
Em nota, a Companhia de Saneamanto de Minas Gerais (Copasa) afirma que "estudos técnicos realizados, em conjunto com outros órgãos ligados à Defesa Civil, isentam a empresa de qualquer responsabilidade" sobre o desabamento. De acordo com a nota, a empresa tomou conhecimento das trincas no prédio no dia 23 de outubro de 2011 e providenciou imediatamente o capeamento da rede, "que não se rompeu em nenhum momento", desativando o trecho na rua Laura Soares Carneiro. Ainda de acordo com a Copasa, as redes de água não foram atingidas pelo desabamento e continuam funcionando normalmente.
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