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Desvio na Marginal do Pinheiros faz SP superar média de trânsito

No 1º dia útil após viaduto ceder, motoristas usam Marginal do Tietê e 23 de Maio como alternativas; Prefeitura montou megaoperação

22 nov 2018
01h08
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SÃO PAULO - O motorista enfrentou congestionamento maior, mas a megaoperação da Prefeitura e a mudança na rotina de parte dos paulistanos impediram um caos no trânsito nesta quarta-feira, 21, 1.º dia útil de interdição de um trecho da Marginal do Pinheiros, zona oeste de São Paulo, após um viaduto ceder na via. Rotas alternativas como a Marginal do Tietê e a Avenida 23 de Maio registraram aumento no tráfego e houve até aumento de ciclistas na Avenida Faria Lima.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o congestionamento no período da manhã atingiu, às 9 horas, o pico de 152 quilômetros, 25% maior que a média. No fim da tarde e à noite, a lentidão máxima foi de 87 quilômetros, às 17 horas, dentro das médias para o horário.

Segundo os técnicos da CET, o trânsito acima da média se concentrou em dois principais eixos viários, que foram usados como rotas alternativas pelo motorista à Marginal do Pinheiros: o Corredor Norte-Sul, incluindo a Avenida 23 de Maio, e a Marginal do Tietê. "A mudança mais significativa que teve, e não temos a contagem ainda, é o uso da ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima", disse o secretário municipal de Transportes, João Octaviano Neto.

Os motoristas que trafegam pela região tiveram de adaptar o itinerário em razão do bloqueio. A opção adotada foi sair com maior antecedência de casa e usar caminhos alternativos. Ainda assim, relatos de atrasos e engarrafamentos se acumularam.

"Saí mais cedo para não prejudicar a abertura do comércio, mas ainda assim me atrasei 40 minutos. Acaba havendo um efeito de espalhar engarrafamentos por diferentes vias, em todos os cantos passa a haver problemas", disse o empresário Allan Felix Espadrezani, de 30 anos.

Quem teve a chance nem saiu de casa para trabalhar. A DuPont, empresa de tecnologia em Alphaville, na Grande São Paulo, autorizou expediente remoto para os funcionários esta semana.

"É preciso mais tempo para entender como as pessoas vão lidar com a situação. Hoje (quarta-feira) houve redistribuição do tráfego, as pessoas tomaram rotas alternativas ou adiaram compromissos. Possível também que tenha havido mudança de modal para o transporte coletivo", diz Paulo Bacaltchuck, professor de Engenharia de Tráfego da Universidade Mackenzie.

Com a avaliação da Prefeitura de que as medidas adotadas nesta quarta tiveram desempenho satisfatório, a proposta agora é monitorar o comportamento do viário urbano nos próximos dias antes da adoção de outras medidas. "É uma situação tão dinâmica que a gente precisa estar preparado para manter, alterar e suprimir algumas medidas", aponta o secretário Octaviano.

Nesta quarta, pela primeira vez, a CET usou drones para monitoramento em tempo real. Segundo Octaviano, no máximo em três semanas, mais cinco quilômetros da parte interditada da Marginal devem ser liberados. Um dos pontos é na saída da Ponte Edison de Godoy Bueno e o outro é perto da Ponte Cidade Universitária.

Foi realizada nesta quarta também reunião com dirigentes da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), para antecipar o recebimento de cargas e reorganizar o trânsito interno e evitar filas do lado de fora.

Pela 1ª vez, Prefeitura usa drone para monitorar transito em tempo real

A queda parcial do viaduto na Marginal do Pinheiros forçou a Prefeitura de São Paulo a montar uma operação especial de trânsito. Entre as medidas adotadas para reduzir os impactos na cidade, foi a primeira vez que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) usou drones para monitorar em tempo real os pontos mais críticos de congestionamento.

Desde o início do ano, a companhia passou a se valer de drones para mapear bairros, estudar o comportamento de veículos e pedestres e elaborar análises para o programa Vida Segura, que é voltado à redução de acidentes na cidade. Foi assim que a CET estudou a implantação do programa nas Avenidas Celso Garcia e Carlos Caldeira Filho, além da Avenida Teotônio Vilela e da Estrada do M'Boi Mirim.

Já o monitoramento do trânsito é feito, em dias comuns, por câmeras instaladas nas principais vias de São Paulo, que cobrem um total de 868 quilômetros da cidade. Por causa dos possíveis transtornos na Marginal, onde o trânsito ficou acima da média no período da manhã, no entanto, os drones da CET foram deslocados para cobrir o eixo da via nesta quarta-feira, 21.

Pela manhã, dois equipamentos sobrevoaram a Ponte Eusébio Matoso e a Ponte Estaiada. "Nos pontos com maior concentração de veículos, onde há uma lentidão maior, estamos medindo com os drones para ver o que está acontecendo com o entorno", explicou o secretário municipal de Mobilidade e Transporte, João Octaviano Machado Neto.

"Com os drones, conseguimos ter um conjunto de informações que são transmitidas em tempo real para a Central de Operações. Os técnicos avaliam e, se for alguma medida operacional de curto prazo, já disparam para a equipe que está em campo", disse Octaviano. "A vantagem é que é dinâmico. Em alguns pontos, nós não temos câmera, então os drones conseguem nos trazer informação muito real."

O secretário passou a maior parte da manhã na Central de Operações da CET, no centro, onde telões e computadores mostrando, ao vivo, a situação das vias de São Paulo. Por volta das 10h45, a sala estava lotada, com 62 técnicos acompanhando o trânsito de veículos na cidade. Segundo funcionários ouvidos pelo Estado, o número é maior do que em dias comuns.

Segundo o secretário, outra Central de Operação, menor, também foi montada na Marginal do Pinheiros para monitorar exclusivamente a via. A gestão de crise incluiu, ainda, o acompanhamento de rotas alternativas e a entrada de veículos do litoral e do interior que chegavam a São Paulo por rodovias. /ANA PAULA NIEDERAUER, JÉSSICA OTOBONI, JULIANA DIÓGENES, FELIPE RESK, BRUNO RIBEIRO, PRISCILA MENGUE E MARCO ANTÔNIO CARVALHO

Estadão

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