Carnaval SP: balanço da Prefeitura aponta eficiência e ignora problemas; PM defende gradis de metal
Concentração simultânea de dois megablocos na Consolação causou tumultos; Prefeitura diz ter acionado plano de contingência e PM afirma que não houve ocorrências graves
A Prefeitura de São Paulo afirmou em balanço sobre o pré-carnaval nesta segunda-feira, 9, que o fim de semana de folia ocorreu "conforme o planejamento" e defendeu a "eficiência da operação". A declaração ocorre após a concentração simultânea de dois megablocos na Rua da Consolação no domingo, 8, causar superlotação, tumulto e congestionamento, com foliões passando mal, público pressionado contra grades de contenção e pessoas subindo em beirais e banheiros químicos.
O bloco Skol, cuja principal atração era o DJ Calvin Harris, e o Acadêmicos do Baixo Augusta foram marcados para desfilar na mesma rua em horários próximos (um começava às 11h e o outro, às 14h).
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou o primeiro fim de semana de folia na cidade como "sucesso". "Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso", disse em entrevista à GloboNews. Na avaliação dele, a infraestrutura montada pela gestão para atender os foliões "foi perfeita".
A Prefeitura destacou que, dos 1.008 foliões atendidos pelas equipes de saúde durante o fim de semana, só 19 precisaram ir a hospitais. Do total, 140 ocorrências foram relacionadas a traumas (como ferimentos ou quedas).
"Na segurança, as ocorrências registradas pela Guarda Civil Metropolitana foram pontuais e compatíveis com eventos de grande porte", afirmou no balanço. A GCM registrou 11 ocorrências no sábado e no domingo: duas prisões por furto, duas prisões de foragidos (um condenado por estupro e outro por tráfico), dois registros de desacato, um de pichação, além da apreensão de três garrafas de bebida e uma averiguação de atitude suspeita.
Coordenador operacional da Polícia Militar e responsável pela organização do efetivo no carnaval, o coronel Carlos Henrique Lucena defende a utilização de gradis de metal nos blocos, medida exigida pela Prefeitura.
"Os gradis são móveis justamente para isso, para ter a possibilidade de abertura, ter a possibilidade de alargamento, de aumentar o fluxo. Por isso, eles precisam ser móveis, para ter a possibilidade de realizar as técnicas de descompressão", diz ao Estadão. "Ficamos felizes por não ter pessoas feridas gravemente nesse evento (nos megablocos da Consolação)."
Caos na Consolação
Em nota, a Prefeitura disse ter acionado um plano de contingência na Rua da Consolação. "O recorde de público em bloco na Rua da Consolação fez com que a administração liberasse as vias de acesso como áreas de escape e também determinou a retirada de gradis para melhorar a mobilidade dos foliões", informou.
O problema começou com o desfile do bloco de carnaval Skol, que estava previsto para ter início às 11h30, com a apresentação dos artistas brasileiros Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro, na esquina da Rua da Consolação com a Rua Pedro Taques. Calvin Harris fecharia o bloco com um show a partir das 14h.
Pouco depois das 12h, no entanto, o bloco parou de andar, houve empurra-empurra e alguns foliões passaram mal. Os artistas interromperam por várias vezes a apresentação.
Houve foliões que se agarraram às grades de portões de prédios da Rua da Consolação para conseguirem um respiro; outros derrubaram grades para ocupar parte da área aberta do imóvel.
De acordo com a Prefeitura, a partir das 14h55, foi acionado um plano de contingência com ações como a abertura das transversais da Consolação para saída de público e bloqueio da entrada de novos foliões ao circuito Consolação. A partir desse momento, diz a gestão, "a Guarda Civil Metropolitana assumiu a frente da linha de condução do trio elétrico para que esse seguisse sem parada".
Por volta das 16h, segundo a administração, "o desfile transcorria na região central sem incidentes". A Prefeitura disse ainda que os postos médicos operaram para o atendimento de pessoas que procuraram o serviço, mas que não houve ocorrência grave registrada. No início da noite, segundo a Polícia Militar e os organizadores, a situação se normalizou e não houve registro de ocorrências graves.
Foliões relataram nas redes sociais as dificuldades e as cenas da confusão no pré-carnaval. "Nunca vi a Consolação tão lotada", escreveu um folião.