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Bares e cafés de Campinas ganham 'caixa da camisinha'

20 jan 2011 - 08h48
(atualizado às 11h25)
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Rose Mary de Souza
Direto de Campinas

Quem entrar em um café ou bar do centro de Campinas vai contar com um novo serviço a partir desta segunda quinzena de janeiro: um equipamento que disponibiliza aos seus frequentadores preservativos sexuais. A "caixinha de camisinha", como está sendo chamada, é discreta, pequena, feita de acrílico transparente e tem a inscrição "Vista-se: use sempre camisinha". Ela mede 30 cm por 20 cm e é fixada em uma parede com fácil acesso e visualização. Em seu interior, cabem 300 unidades, de que os interessados podem dispor gratuitamente.

Um dos sócios do Café Regina, Henrique Bitencourt mostra onde está a "caixinha de camisinha", que começou a ser instalada em bares de Campinas nesta semana
Um dos sócios do Café Regina, Henrique Bitencourt mostra onde está a "caixinha de camisinha", que começou a ser instalada em bares de Campinas nesta semana
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra

"O objetivo foi colocar os preservativos à disposição de quem quer se precaver de doenças sexualmente transmissiveis, inclusive o vírus da Aids", disse o idealizador do projeto José Carlos Morais da Silva, da organização não-governamental (ONG) Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+). O projeto conta com o apoio do Programa Municipal de DST/Aids de Campinas.

Segundo Silva, a ONG dispõe de 100 "caixinhas" e mapeou bares, cafés, lanchonetes e restaurantes na cidade. A meta é ampliar gradativamente a rede com as caixas conforme a adesão dos donos dos estabelecimentos."Acredito que estamos facilitando o acesso dos preservativos a qualquer pessoa", afirmou. "Antes o acesso gratuito aos preservativos era somente em postos de saúde, em ONGs e grandes eventos, como o Carnaval".

No primeiro dia, 50 unidades são levadas

Só no primeiro dia de operação da caixinha da camisinha no Café Regina, no centro da cidade, os clientes levaram cerca de 50 unidades, de acordo com um dos sócios do estabelecimento, Henrique Bitencourt. "Tudo que se fizer para contribuir para a prevenção de doenças é válido", comentou ele.

O equipamento no Café Regina foi o primeiro em toda a cidade. Ele fica estrategicamente fixado no lavabo, em frente a um espelho entre as portas dos sanitários masculino e feminino. A localização da caixa pretende evitar qualquer tipo de constrangimento entre os demais clientes no balcão, mesas e áreas abertas.

Happy Hour

Durante o happy hour, o empresário Eduardo Link, que gosta de encontrar amigos no Nosso Bar, um boteco dentro do Mercado Campineiro, na rua Barão de Jaguara, presenciou, entre uma cerveja e uma porção de carne, a chegada da caixinha no local. "Acho válido, excelente, sensacional, no mínimo vai evitar um monte de problemas para os desavisados", disse.

Link acredita que, nos últimos anos, o debate sobre as doenças sexualmente transmissíveis ficou de lado. "Todo mundo fala de gripe suína, gripe do frango, mosquito da dengue, diabetes, depressão, e se esquece que nos dias de hoje é preciso proteção até na hora do prazer", disse.

O dono do estabelecimento, Mauricio Assis, acredita que a caixinha é um facilitador. "Eu sei que tem gente que sente vergonha em comprar uma camisinha, de entrar no assunto", comentou. Ele acha que não vai ser preciso tomar "um pouco a mais" com a desculpa de criar coragem para pedir um preservativo. "Aqui no bar é só chegar e pegar o seu".

O barman do local, Edirlei Godoy, o "Rodinha", após fechar os pedidos, abrir um vinho, pôr os copos da cerveja sobre o balcão, entregar o troco no caixa e temperar os petiscos, diz que não vai se preocupar em atender quem quiser um preservativo. "Basta esticar o braço e pegar. E partir para o abraço", afirmou.

A bancária Luciana Celina Venturatto Gaspar, 30 anos, acha que o preservativo tem que estar disponível ao maior número de pessoas e que é importante a conscientização dos problemas de saúde. "Já está na hora da mudança de mentalidade. Todo mundo precisa usar", comentou.

Efeito Drauzio Varella

Desde que o médico Drauzio Varella voltou a falar sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) na televisão, o interesse em fazer exames para diagnosticar a doença cresceu em Campinas. Segundo a coordenadora do Núcleo de Prevenção do Centro de Referência DST/Aids da prefeitura de Campinas, Osmarina Ruiz, antes de o doutor Drauzio trazer o tema em rede aberta de televisão, cerca de 300 pessoas por mês - ou 10 por dia - procuravam o orgão em busca de um exame de sangue.

Depois que o doutor Varella trouxe a questão à tona, a procura nos núcleos de prevenção em Campinas subiu 50%, ou seja, 400 pessoas foram atendidas em 20 dias, ou 20 pessoas examinadas por dia.

"As pessoas precisam se conscientizar de que a camisinha tem que andar na bolsa ou no bolso como um batom ou um pente, pronto para ser usada", comentou ela. De acordo com ela, o exame demora no máximo uma hora. Uma ficha é preenchida e depois é retirada uma amostra de sangue que segue para um reagente mostrar o resultado.

Em Campinas, são tratadas pelo serviço público 2 mil pessoas portadoras do vírus HIV. Para Osmarina, o total de doentes pode ser maior, já que os órgãos de saúde supõem que um grande número de pessoas não apresentam sintomas e desconhecem que estão com a doença.

Fonte: Especial para Terra
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