BA: superlotada, associação ameaça não receber bichos maltratados
Vitória da Conquista é uma das 155 cidades do Brasil que confirmadas para manifestação contra crueldades de animais
Uma associação que cuida de animais abandonados ou vítimas de maus tratos em Vitória da Conquista, na Bahia, ameaça fechar as portas por conta da superlotação. Atualmente, são 210 bichos (entre cães, gatos, coelhos e galos) na Associação Amiga dos Animais (Ama). A grande maioria tem histórico de abandono pelos donos por estarem doentes ou deficientes.
"A população deixa animais aqui na minha porta quase todo dia, não tenho condições de cuidar de tantos bichos”, disse Leonice Sá de Araújo, 59 anos, presidente da Ama desde a fundação da associação, em 2001. "Todos os dias, acordo às 6h e vou dormir a 1h para fazer o trabalho”, afirmou ela, enquanto recebia ligação de uma moradora de um bairro nobre da cidade querendo “ajuda” para cuidar de um cachorro doente.
“Ela quer vir aqui para colocar gesso na perna do animal e remédio, como se aqui fosse clínica veterinária. É assim, direto. Aqui não é hospital, não temos carro, veterinário, nada. Os voluntários são poucos”, salientou. Segundo ela, não só pessoas de renda elevada, mas também de média e baixa renda abandonam animais nas ruas.
Cadeiras
Atualmente, há na Ama 18 cachorros paraplégicos, um tetraplégico e um que teve uma pata amputada, a maioria vítima de atropelamento. Alguns desses bichos recebem “cadeiras de roda” feitas por voluntários. “Recebo, todo dia, entre 15 a 20 ligações de gente querendo deixar bicho aqui, um absurdo”, reclamou.
Leonice contou que até o Corpo de Bombeiros já esteve em sua casa, de madrugada, para deixar animais encontrados atropelados nas rodovias. “Como se aqui fosse de algum órgão público, vieram às 2h. Essa situação ilustra um pouco a que ponto chegamos”, comentou.
Na Ama, os animais ficam em dois canis e um gatil, espaço onde também são cuidados os galos e coelhos, que convivem amigavelmente com os gatos. Leonice diz que não tem uma quantidade que seria ideal para cuidar, e por conta de não ter onde mais colocar os bichos que chegam à associação, teve de levar para casa 20 cachorros e 19 gatos.
“Ninguém quer vir aqui fazer trabalho voluntário. Fica um monte de gente dizendo que gosta de bicho na internet, se revoltando com casos de maus-tratos, mas colocar a mão na massa ninguém quer”, criticou.
Promessas
Atualmente, Leonice trabalha com duas ajudantes, pagas pela prefeitura local. “Mas já teve duas voluntárias aqui que processaram a associação, ficaram um tempo e depois pediram indenização, uma de R$ 22 mil e a outra de R$ 26 mil. Ainda bem que a Justiça viu que fizemos tudo certo”, disse ela.
Em nota, a prefeitura de Vitória da Conquista informou que ”o projeto arquitetônico para a construção do Centro Municipal de Zoonoses já foi elaborado e que o processo para concessão da Licença Ambiental está em andamento”.
Segundo a prefeitura, “para abrigar animais de maior porte que estão em vias públicas e estradas entorno do município, a Secretaria de Serviços Públicos dispõe de um curral. O trabalho de apreensão é realizado por fiscais (da Gerência) de Posturas que fazem vistorias ou são acionados pela população”. O telefone da Gerência de Posturas da prefeitura é (77) 3420 7009 e o e-mail gerenciadeposturas@yahoo.com.br.
Vitória da Conquista é uma das 155 cidades do Brasil que já estão confirmadas para a manifestação nacional contra crueldades contra animais que será realizada no próximo domingo. O ato também ocorrerá em Nova York (EUA) e é organizado pelo Movimento Crueldade Nunca Mais, criado em 2011, após o caso de espancamento até a morte de uma cadela da raça yorkshire, por parte da enfermeira Camilla Correa Alves de Moura Araújo dos Santos, em Formosa (GO).