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Av. Paulista se divide entre festa e ato contra impeachment

31 ago 2016
19h53
atualizado às 20h15
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Manifestação contra a ex-presidente Dilma Roussef e contra o PT ocorre na Avenida Paulista em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A via está bloqueada pelos manifestantes, que comemoram o impeachment. A poucos metros, em frente ao vão livre do Masp, multidão fecha as oito faixas da via em apoio à presidente afastada e contra o governo de Michel Temer.

Às 18h40, houve confusão entre pessoas contra e a favor do impeachment no local. Um grupo começou a gritar xingamentos contra o PT. A polícia interveio e a confusão foi dispersada.

Dois bonecos estão sendo inflados neste momento pelo lado que comemora o impeachment, um representando Dilma e outro Renan Calheiros. A Polícia Militar fez um cordão de isolamento entre o quarteirão onde estão os manifestantes pró-impeachment e o quarteirão onde ocorre manifestação contra o impedimento de Dilma. Dois carros da tropa de choque também ajudam no bloqueio.

Protesto "Fora Temer"

Movimentos sociais, estudantis e coletivos feministas fazem uma manifestação em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). O protesto, convocado pela internet pelo coletivo Democracia Corintiana, ocupava às 19h30 todas as oito faixas da Aavenida Paulista em frente ao museu. Por volta das 18h30, manifestantes de outro ato que ocorria na Praça do Ciclista, também na Avenida Paulista, convocada pelo grupo Levante Popular, juntaram-se à que ocorria no Masp.

"Senti-me golpeado hoje com o resultado do impeachment. Mesmo a gente manifestando por todos esses meses, a inconstitucionalidade do impeachment, todas as nulidades, a gente viu senador dizendo que não havia crime, mas o afastamento era necessário por falta de governabilidade. Isso é uma vergonha, um golpe", disse Rodrigo Bittar, estudante de direito.

Incoerência

"Para o futuro do país, espero as piores coisas possíveis. Um governo empossado sem voto poderá colocar em pauta todas as medidas impopulares que jamais seriam aprovadas nas urnas", acrescentou.

Entre os manifestantes há membros de grupos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE) e União da Juventude Socialista (UJS). "Fora Temer", "golpistas, fascistas, não passarão" são as palavras de ordem mais entoadas pelos manifestantes.

"Foi uma incoerência tirar Dilma da Presidência, mas não cassar os direitos políticos. Isso mostra que eles queriam mesmo é o lugar dela, mas não tiveram coragem de puni-la. A comemoração do impeachment está pequena. Isso mostra que a população não aprova Dilma, mas também não vê saída com o Michel Temer", afirmou Diogo Leito pós-graduando da Universidade de São Paulo (USP).

Inimigo comum

Para o estudante Breno Oliveira, os movimentos sociais brasileiros agora têm um inimigo comum, o que deverá facilitar a mobilização de pessoas contra o novo governo. "Cresci ouvindo histórias sobre o golpe de 1964. Tenho certeza que não vamos entregar facilmente essa disputa. Os movimentos sociais têm agora um inimigo comum, o governo golpista, e isso vai se refletir em manifestações conjuntas", concluiu.

Veja fotos da festa pelo impeachment de Dilma:

Foto: Guilherme Stutz / Futura Press
Foto: Guilherme Stutz / Futura Press
Foto: N.M / Futura Press

Veja fotos do protesto contra om impeachment de Dilma e o governo Michel Temer:

Foto: Paulo Lopes / Futura Press
Foto: Paulo Lopes / Futura Press
Foto: N.M / Futura Press
Agência Brasil Agência Brasil
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