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Autoridade Nacional investiga possível vazamento de material radioativo no Ipen, na USP

Caso teria ocorrido no dia 29 de maio e, segundo sindicato, foi causado por cortes no orçamento. Comissão Nacional afirma que não houve contaminação no instituto; Estadão entrou em contato com a USP e com o Ipen e aguarda retorno

11 jun 2026 - 22h51
(atualizado às 23h11)
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A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga uma possível contaminação e vazamento de material radioativo que teria ocorrido no dia 29 de maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

A ANSN, que afirma ter tomado conhecimento dos fatos por meio de uma denúncia anônima, informou que foram solicitadas informações ao Ipen para verificação dos fatos relatados e que a investigação está ocorrendo.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em nota enviada ao Estadão, deu mais detalhes do ocorrido. Segundo a CNEN, o incidente analisado envolveu a presença de traços do elemento químico tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma máquina de esterilização utilizada no processo produtivo de um radiofármaco.

No relatório da CNEN, o órgão indica que o incidente envolveu dois trabalhadores, os quais foram submetidos a exames in vivo (Contador de Corpo Inteiro). As contagens de radioatividade detectadas foram baixas e demonstraram que não houve contaminação interna. A contaminação ficou restrita à área controlada, do Centro de Radiofarmácia do Instituto.

A Universidade de São Paulo (USP), responsável pelo campi da Cidade Universitária e o Ipen não responderam às tentativas de contato do Estadão.

Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na USP; Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga possível vazamento de material radioativo
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na USP; Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga possível vazamento de material radioativo
Foto: Marcio Fernandes/Estadão / Estadão

Em nota, a ANSN explica que a radiofarmácia do Ipen tem autorização de operação vigente e informa que expediu notificação para o instituto, com prazo até a próxima quinta-feira, 18 de junho, com dois conjuntos de solicitações: o primeiro conjunto diz respeito à manutenção das condições de licenciamento da instalação, como previsto na regulamentação; e o segundo conjunto tem pedidos de esclarecimentos em relação à denúncia recebida pela autoridade sobre o possível vazamento.

"A notificação garante à instalação o exercício do contraditório e da ampla defesa, sendo que eventuais medidas adicionais dependerão da análise técnica das informações e documentos apresentados pelo Ipen", diz o comunicado da ANSN.

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) informaram terem encaminhado pedidos de informações sobre o caso e sobre quais foram as providências tomadas às direções do Ipen e da CNEN após o início dos relatos da contaminação.

Em nota divulgada em seu site oficial, o Sindsef-SP relatou que, segundo informações preliminares, a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas utilizadas pelos trabalhadores envolvidos, inclusive terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica para controle da situação.

De acordo com o sindicato, parte dos procedimentos de descontaminação teria ocorrido em locais não destinados especificamente para esse tipo de atendimento, o que levanta preocupações se a infraestrutura disponível é adequada e sobre o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para atividades com materiais radioativos.

No texto, o Sindsef-SP atribui o incidente a cortes no orçamento, redução no quadro de pessoal e deficiências na gestão, e alerta que os servidores que trabalham direta e permanentemente com materiais ou substâncias radioativas estão com exames médicos específicos atrasados em mais de um ano. O órgão também cobra apuração e divulgação das informações sobre o que teria ocorrido em 29 de maio.

Estadão
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