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Após 5 anos, demolição do "treme-treme" permanece incerta

2 fev 2009 - 16h01
(atualizado em 2/2/2009 às 12h26)
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Vagner Magalhães

Direto de São Paulo

Desde 2004, quando a Prefeitura desapropriou os 624 apartamentos do edifício São Vito, no centro velho de São Paulo, a discussão sobre a destinação do prédio - se seria reformado ou demolido - passou por vários gabinetes do poder público. Passados cinco anos, o prédio, que ficou conhecido a partir dos anos 70 por "Treme-Treme", segue fechado, em pé, e à espera de uma decisão definitiva.

O edifício São Vito foi construído nos anos 50 e sofreu e ficou decadente a partir dos 70
O edifício São Vito foi construído nos anos 50 e sofreu e ficou decadente a partir dos 70
Foto: Reinaldo Marques / Terra

Quando foi desapropriado, ainda na gestão Marta Suplicy (2001-2004), o projeto de reforma do edifício previa uma diminuição no número de apartamentos para 375, enquanto o térreo e a sobreloja seriam ocupados por serviços comunitários e públicos. No início da gestão de José Serra, em 2005, a Prefeitura decidiu que o melhor seria a demolição dos prédios, englobando a área ao Parque D. Pedro II.

Hoje, a demolição do São Vito esbarra na desapropriação do edifício Mercúrio, seu vizinho. Como são construídos lado a lado, os dois terão de ser implodidos, caso a Prefeitura mantenha a sua decisão. Hoje, cerca de 30 famílias permanecem no Mercúrio, à espera de um acordo para a desapropriação dos apartamentos.

"A demolição do São Vito e do Mercúrio são irreversíveis. O que falta é acertar as pendências na Justiça, mas é apenas uma questão de tempo", diz o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo.

Segundo ele, da idéia da prefeitura prevê ainda a demolição do viaduto Diário Popular, vizinho aos prédios. "Com a ampliação e revitalização do Parque D. Pedro II, os paulistanos ganharão uma área revigorada, muito diferente do que é hoje", diz. Uma passarela seria construída para ligar o parque ao Mercado Municipal, do outro lado do rio Tamanduateí.

No dia do aniversário de São Paulo, cerca de 200 pessoas se reuniram na praça da Sé, no centro, para protestar contra a demolição dos edifícios.

Em um manifesto, 29 organizações sociais questionam o destino dos prédios. O principal argumento é a falta de moradias na região central.

"Há cerca de 600 mil pessoas que vivem em cortiços no anel central da cidade, convivendo em espaços apertados e insalubres, em prédios velhos sem manutenção e com riscos de desabamento. Finalizando: há cerca de 15 mil pessoas que vivem em situação de rua, a maioria no Centro", diz a carta.

Segundo o documento, os dois edifícios juntos já abrigaram quase 800 famílias (mais de 2,4 mil pessoas), o mesmo número de moradias populares construídas pela Prefeitura na área central nos últimos 20 anos.

Os dois prédios foram construídos na década de 50 e passaram por um processo de degradação a partir dos anos 70.

A ambulante Ana Lúcia, 48 anos, conta que morou no prédio com seus três filhos no começo da década.

Lembra que a vida era difícil no local, mas melhor do que hoje. "A grande vantagem era morar no centro, onde estamos muito mais próximos do emprego e há transporte para todo lado. Mas lá dentro não era fácil. Tinha de tudo. Tráfico de drogas, prostituição, homicídios. Era muita confusão. Ana Lúcia vive hoje em Sapopemba, zona leste da cidade.

O prédio também é lembrado pela moradora pelo lixo que comumente era atirado pelas janelas, para a avenida do Estado ou para a pequena rua Luís de Camões, na parte de do edifício.

"Do jeito que estava não poderia ficar, mas não sei se o mais correto é derrubar o prédio. Se dessem uma nova cara para ele, poderia ser um prédio residencial como outro qualquer da cidade", diz.

Vitrais

Um dos empecilhos para a demolição dos prédios são os 32 painéis de vidro do Mercado Municipal, importados da Alemanha no fim dos anos 20.

O Mercado fica em frente aos prédios e por conta da sua importância histórica terão de ser protegidos para que ocorra a implosão.

A licitação para a contratação dos serviços de demolição foi aberta em outubro e suspensa em dezembro, até que o Mercúrio seja esvaziado. O custo para a retirada dos edifícios é de cerca de R$ 10 milhões.

Fonte: Terra
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