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Brasil investigou franceses em Alcântara por suspeita de sabotagem

5 nov 2013 - 08h03
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O Brasil investigou se agentes do serviço secreto francês promoveram ação de sabotagem para explodir a base de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão. O acidente, ocorrido em 2003, matou 21 pessoas, entre engenheiros e técnicos do atual Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), órgão da Aeronáutica. De acordo com documentos secretos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo, pelo menos três operações de contraespionagem tinham como alvos espiões franceses e seus contatos brasileiros e estrangeiros. Também foi feito monitoramento do serviço de inteligência em órgãos de cooperação e cultura ligados à Embaixada da França com o objetivo era proteger o setor espacial brasileiro da espionagem internacional.

O Brasil monitorava o que os agentes da Abin descrevem como "rede de espionagem" da DGSE (sigla de Direção-Geral de Segurança Externa, a agência de inteligência da França), ativa no Maranhão e em São Paulo. Segundo um ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o governo tinha informações sobre espionagem internacional em Alcântara. Apesar dos indícios apontados pela Abin, não foram encontradas provas de sabotagem. Oficialmente, a explosão foi provocada por uma pane elétrica que causou ignição antecipada de um dos propulsores do foguete.

A localização da base brasileira no Maranhão é considerada uma das melhores do mundo para o lançamento de foguetes com satélites comerciais, pela proximidade ao Equador. A estimativa é que os lançamentos de Alcântara economizem até 30% em combustível. Um oficial de inteligência que acompanhou o caso disse que um dos alvos era um agente francês do DGSE que se apresentava como Olivier. Ele atuava na região disfarçado de professor de kitesurf, e recrutava informantes na base brasileira. A Abin fotografou o francês e seus contatos. Ao menos oito relatórios de inteligência foram produzidos sobre o caso até 2003. Procurada, a Embaixada da França não se manifestou.

Fonte: Terra
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