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Bolsonaro nega ditadura militar e diz em entrevista à TV que regime teve "probleminhas"

28 mar 2019 - 20h49
(atualizado em 28/3/2019 às 10h43)
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Depois de criar polêmica ao instruir as Forças Armadas a comemorar o aniversário de 55 anos do golpe de Estado de 1964, o presidente Jair Bolsonaro negou, em entrevista à TV Bandeirantes, a existência de uma ditadura militar e disse que o regime teve "probleminhas".

Jair Bolsonaro bate continência em Brasília
10/12/2018 REUTERS/Adriano Machado
Jair Bolsonaro bate continência em Brasília 10/12/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Adriano Machado / Reuters

"Onde você viu no mundo, Datena, já que você tem quase minha idade, eu sou um pouco mais velho que você, uma ditadura entregar pra oposição de forma pacífica o governo? Só no Brasil. Então não houve ditadura", disse o presidente.

Bolsonaro insistiu que o regime militar não teve uma política repressiva de Estado, argumentando que "deve ter alguém sendo torturado por aí" nesse momento e não se poderia colocar a culpa nele como presidente por isso.

"Não estou dizendo que foi uma maravilha, não foi uma maravilha. Regime nenhum... Qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha. Agora entre os probleminhas que tivemos e que outros países... olha a Venezuela, que ponto chegou?", defendeu.

Bolsonaro disse ainda que se "esse pessoal que no passado tentou chegar ao poder usando as armas e que hoje estão presos, e sendo processados por corrupção", se referindo a políticos de esquerda, tivessem ganho o que chamou de "guerra", o país estaria em situação pior. "Imagina como estaria o Brasil?", perguntou. 

O presidente voltou a dizer que as Forças Armadas são "quem decide se vai ser uma ditadura ou uma democracia" e são o "último obstáculo contra o socialismo".

De acordo com o presidente, as "comemorações" pelo golpe serão feitas dentro dos quartéis para citar datas e "usar a verdade".

Na segunda-feira, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, confirmou que Bolsonaro aprovou a inclusão da data na ordem do dia das Forças Armadas, para comemoração do golpe de 1964.

A citação do golpe era costumeira na ordem do dia em 31 de março até 2010. Ao assumir o governo em 2011, a ex-presidente Dilma Rousseff --presa e torturada durante a ditadura militar-- vetou as comemorações, que não voltaram a ser feitas mesmo durante o governo de Michel Temer.

Segundo explicou Rêgo Barros, "o presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar", e sim que os militares se uniram para "recolocar o país no rumo".

A decisão de Bolsonaro gerou reações imediatas. Em nota, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão afirmou que é desrespeito ao Estado de Direito o incentivo dado à comemoração do golpe.

"Festejar a ditadura é, portanto, festejar um regime inconstitucional e responsável por graves crimes de violação aos direitos humanos. Essa iniciativa soa como apologia à prática de atrocidades massivas e, portanto, merece repúdio social e político, sem prejuízo das repercussões jurídica", diz o texto assinado pelos procuradores.

O Ministério Público Federal recomendou às Forças Armadas que se abstenham de "manifestações públicas, em ambiente militar ou fardado", em comemoração ao golpe. O texto enviado às unidades militares recomenda ainda que as entidades identifiquem eventuais atos e militares que participem da celebração para aplicação de punições disciplinares e comuniquem o MPF para adoção de providências cabíveis.

No Distrito Federal, a juíza da 6ª vara federal Ivani da Silva Luz mandou intimar o presidente a dar explicações em ação popular impetrada pelo advogado Carlos Alexandre Klomphas, em que é pedida a suspensão de quaisquer comemorações do golpe.

Mais tarde, o vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, disse a posição dos militares no próximo domingo terá um tom conciliador.

"31 de março é um fato histórico, não é? Então ele tem que ser mostrado, o que aconteceu. Cada um tem sua ótica sobre isso aí", disse a jornalistas. "Eu tenho a minha visão, olho muito assim: acho que no futuro vai ser visto que 31 de março foi o ápice das intervenções militares durante a história da República."

"Então eu acho que o que vai ser feito, em termos de ordem do dia, vai ser algo muito conciliador, não é?, Colocando que as Forças Armadas combateram o nazifascismo, combateram o comunismo, e isso é passado, faz parte da História", acrescentou.

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