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Biblioteca de Mindlin tem originais, edições raras e mapas

28 fev 2010 - 17h04
(atualizado às 18h24)
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Morto neste domingo aos 95 anos, o advogado, empresário e bibliófilo José Mindlin era dono de um acervo inestimável. Parte de sua biblioteca de 38 mil volumes foi doada à Universidade de São Paulo no ano passado. Entre os exemplares, de sua coleção, a primeira edição de livros muito importantes, como "Os Lusíadas", do poeta português Luís Vaz de Camões, originais e mapas antigos do Brasil.

Mindlin foi enterrado na tarde deste domingo no cemitério Israelita de Vila Mariana
Mindlin foi enterrado na tarde deste domingo no cemitério Israelita de Vila Mariana
Foto: Adriano Lima / Futura Press

Ainda entre os mais importantes itens de sua coleção, que começou a acumular aos 13 anos, estavam os originais "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, "Sagarana", de Guimarães Rosa, e "Vidas Secas", de Graciliano Ramos. Completam o acervo outras primeiras edições, como as de "O Guarani", de José de Alencar, e "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo.

No conjunto doado à universidade, constam ainda obras de história e sociologia. Dentre as raridades estão documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência.

Biografia

Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, foi redator do jornal O Estado de S. Paulo de 1930 a 1934 e advogou até 1950, quando fundou e presidiu a Metal Leve.

Foi casado com Guita Mindlin, que morreu em 25 de junho de 2006. O casal teve quatro filhos: a antropóloga Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.

Mindlin foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de 1973 a 1974 e de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Fez parte do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq), do Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República, entre outras entidades.

O bibliófilo recebeu ainda diversas premiações, entre elas, em 2003 o prêmio Unesco Categoria Cultura; a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras; e, em 1998, o prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano.

O casal formou uma das mais importantes bibliotecas privadas do País, que Mindlin começou a formar aos 13 anos e chegou a ter 38 mil títulos. Em maio de 2006, o casal fez a doação de cerca de 15 mil obras da Biblioteca Brasiliana para a USP. No conjunto doado, constam raridades como documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas Secas,de Graciliano Ramos.

É o autor de Uma Vida entre Livros, Reencontros com o tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca. Lançou em 1998 o CD O Prazer da Poesia.

Com informações da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: Redação Terra
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