Biblioteca de Mindlin tem originais, edições raras e mapas
Morto neste domingo aos 95 anos, o advogado, empresário e bibliófilo José Mindlin era dono de um acervo inestimável. Parte de sua biblioteca de 38 mil volumes foi doada à Universidade de São Paulo no ano passado. Entre os exemplares, de sua coleção, a primeira edição de livros muito importantes, como "Os Lusíadas", do poeta português Luís Vaz de Camões, originais e mapas antigos do Brasil.
Ainda entre os mais importantes itens de sua coleção, que começou a acumular aos 13 anos, estavam os originais "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa, "Sagarana", de Guimarães Rosa, e "Vidas Secas", de Graciliano Ramos. Completam o acervo outras primeiras edições, como as de "O Guarani", de José de Alencar, e "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo.
No conjunto doado à universidade, constam ainda obras de história e sociologia. Dentre as raridades estão documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência.
Biografia
Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, foi redator do jornal O Estado de S. Paulo de 1930 a 1934 e advogou até 1950, quando fundou e presidiu a Metal Leve.
Foi casado com Guita Mindlin, que morreu em 25 de junho de 2006. O casal teve quatro filhos: a antropóloga Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.
Mindlin foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de 1973 a 1974 e de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Fez parte do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq), do Instituto de Pesquisa Tecnológica, e da Comissão Nacional de Tecnologia da Presidência da República, entre outras entidades.
O bibliófilo recebeu ainda diversas premiações, entre elas, em 2003 o prêmio Unesco Categoria Cultura; a Medalha do Conhecimento concedida pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; prêmio João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras; e, em 1998, o prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano.
O casal formou uma das mais importantes bibliotecas privadas do País, que Mindlin começou a formar aos 13 anos e chegou a ter 38 mil títulos. Em maio de 2006, o casal fez a doação de cerca de 15 mil obras da Biblioteca Brasiliana para a USP. No conjunto doado, constam raridades como documentos do século XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas Secas,de Graciliano Ramos.
É o autor de Uma Vida entre Livros, Reencontros com o tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca. Lançou em 1998 o CD O Prazer da Poesia.
Com informações da Academia Brasileira de Letras.