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Bolsonaro volta a dizer que não há problemas entre governo brasileiro e China

Presidente afirmou que poderia ligar para Xi Jinping, presidente chinês; país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil

20 mar 2020
15h17
atualizado às 17h41
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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro reafirmou, nesta sexta-feira, 20, que não existem problemas na relação entre o governo brasileiro e o chinês. A declaração, dada em uma videoconferência com empresários, vem na esteira de uma crise diplomática causada por uma postagem do deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

"Não existe uma palavra contra a China desde que assumi o governo. Nosso relacionamento com Xi Jinping está excepcional, talvez até ligue para ele", afirmou o presidente.

O presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com empresários
O presidente Jair Bolsonaro em videoconferência com empresários
Foto: Reprodução/TV Brasil / Estadão

Pela manhã, o presidente já havia negado problemas com a China e disse que poderia ligar para o presidente chinês, Xi Jinping, para colher experiências de combate ao novo coronavírus.

"Eu cometi algum crime? Fiz alguma acusação? Me responda. Por que você não pede desculpa então? O governo brasileiro está muito bem com a China", afirmou o presidente a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.

Eduardo publicou, na quarta-feira, 18, um tuíte em que acusou a China de ter escondido informações sobre o início da pandemia do coronavírus. "A culpa é da China e liberdade seria a solução", escreveu o deputado.

A publicação começou a repercutir na noite de quarta-feira, quando o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, respondeu as acusações de Eduardo. Wanming exigiu a retirada imediata das palavras do deputado e um pedido de desculpas ao povo chinês.

Minutos depois, foi a página da Embaixada da China no Brasil que passou a cobrar explicações de Eduardo. Um tuíte publicado afirmava que Eduardo, ao voltar dos Estados Unidos, contraiu um "vírus mental" que está "infectando a amizade" entre os povos.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Só em 2019, o país asiático comprou US$ 65,4 bilhões em produtos brasileiros.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda na madrugada de quinta-feira, 19, publicou desculpas à China e ao embaixador Wanming em nome da Casa. Maia chamou as afirmações de Eduardo de "irrefletidas".

O vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), encaminhou um ofício ao governo chinês pedindo desculpas, sem mencionar diretamente o comentário de Eduardo.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, saiu em defesa de Eduardo e afirmou que a posição do deputado não reflete a do governo brasileiro. Declarou também que a reação de Wanming foi "desproporcional" e feriu "a boa prática diplomática", e que aguardaria uma retratação do embaixador da China.

Diante das críticas, Eduardo Bolsonaro publicou uma nota em que disse que jamais ofendeu o povo chinês e que o Brasil não quer problemas com o país asiático.

"Jamais ofendi o povo chinês", escreveu Eduardo. "Esclareço que compartilhei postagem que critica a atuação do governo chinês na prevenção da pandemia, principalmente no compartilhamento de informações que teriam sido úteis na prevenção em escala mundial."

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Estadão
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