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Bolsonaro diz que fez acordo com Moraes para encerrar inquérito das fake news

Presidente afirma que só assinou 'Declaração à Nação', na qual recuava de ataques feitos na direção do STF, porque magistrado havia garantido por fim à investigação

14 jun 2022 - 23h33
(atualizado em 14/6/2022 às 09h37)
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Foto: Mais Goiás

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 13, que tinha feito acordo com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no ano passado, para que ele encerrasse o inquérito das fake news. De acordo com Bolsonaro, o acerto teria ocorrido após as manifestações de 7 de Setembro, quando ele aceitou divulgar uma "Declaração à Nação", na qual recuava dos ataques feitos a Moraes, a quem havia chamado de "canalha".

Na semana passada, ao criticar Moraes - que é relator do inquérito das fake news -, Bolsonaro já havia mencionado a existência desse acordo, sem dizer do que se tratava. O ex-presidente Michel Temer - que ajudou a redigir a carta divulgada dois dias após o 7 de Setembro, a pedido do próprio Bolsonaro - desmentiu o sucessor, afirmando, em nota, não ter havido "condicionantes" para a produção daquele texto. Na carta, Bolsonaro sustentava não ter tido intenção de agredir "quaisquer dos Poderes" e destacava que suas palavras tinham sido ditas no calor do momento.

Presidente afirma que só assinou 'Declaração à Nação', na qual recuava de ataques feitos na direção do STF, porque o ministro Alexandre de Moraes havia garantido por fim ao inquérito das fake news. Foto: Wilton Junior/Estadão

"Eu assinei a carta. Eu me descapitalizei politicamente. Levei pancada para caramba em troca de um cumprimento do outro lado da linha. Coisa simples até, sobre esse inquérito que não tinha cabimento", disse Bolsonaro nesta segunda-feira, 13, diante do Palácio do Planalto.

Ao ser questionado por jornalistas se o acerto envolvia o encerramento do inquérito das fake news - que tem como alvo o presidente, seus filhos e aliados -, Bolsonaro confirmou. "Envolvia, sim. (Em) um ou dois meses, ia botar um ponto final. Lamentavelmente, do outro lado não veio nada. Lamentavelmente", insistiu. "Tínhamos o risco do Trovão voltar para cá, ser preso e o Brasil parar. Como vamos tratar o caso do Trovão? (Moraes disse) 'Eu vou tratar dessa maneira'. Foi discutido ali. E nada foi cumprido. Nada, zero", completou.

    A referência de Bolsonaro é a Zé Trovão, líder dos caminhoneiros e apoiador do governo. Ele teve a prisão decretada por Moraes, antes mesmo das manifestações de 7 de Setembro. Foi acusado de incentivar atos antidemocráticos e chegou a ficar foragido no México. A prisão de Zé Trovão foi revogada e hoje ele usa tornozeleira eletrônica.

    Procurado pelo Estadão, Moraes não se manifestou.

    Estadão
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