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Socialista obtém vitória esmagadora sobre ultradireita em Portugal

8 fev 2026 - 17h31
(atualizado às 19h36)
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António José Seguro impôs dura derrota ao ultradireitista André Ventura, após se colocar como esquerdista "moderno e moderado" capaz de evitar crises políticas e defender valores democráticos.O socialista moderado António José Seguro obteve uma vitória esmagadora no segundo turno das eleições presidenciais de Portugal neste domingo (08/02), derrotando o líder da ultradireita André Ventura na corrida para suceder o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita. Esta foi a primeira vez em 40 anos que o país realizou um segundo turno para eleger seu chefe de Estado.

António José Seguro supera ultradireita e vence segundo turno em Portugal, segundo pesquisas
António José Seguro supera ultradireita e vence segundo turno em Portugal, segundo pesquisas
Foto: DW / Deutsche Welle

Sondagens divulgadas horas após o fechamento das urnas indicavam que Seguro, o mais votado no primeiro turno das eleições, em 18 de janeiro, venceu a segunda rodada da votação por uma ampla margem, com o candidato do Partido Socialista atingindo 71,4% dos votos, segundo a projeção CNN/TVI, superando pesquisas anteriores.

Ventura, líder do partido ultradireitista Chega - a maior sigla de oposição no Parlamento - obteve 33,0 % do total, segundo a mesma pesquisa.

Outras sondagens de boca de urna apresentaram números semelhantes, com variações de entre 67% e 73% para Seguro e 27% a 33% para Ventura.

Antes da meia-noite, no horário local, Seguro já havia batido o recorde de votos em uma eleição presidencial portuguesa, superando os 3,459 milhões com que Mário Soares foi eleito em 1991.

Candidato da esquerda "moderna e moderada"

Seguro se apresentou como o candidato de uma esquerda "moderna e moderada" capaz de exercer uma mediação ativa para evitar crises políticas e defender os valores democráticos. Ele recebeu o apoio de conservadores proeminentes após o primeiro turno, em meio a preocupações com o que muitos consideram as tendências populistas e autoritárias de Ventura.

Nas cinco décadas desde que Portugal encerrou sua ditadura, em 1974, uma eleição presidencial havia exigido segundo turno apenas uma vez, em 1986. O resultado revela como o cenário político se tornou fragmentado com a ascensão da ultradireita e o descontentamento dos eleitores com os partidos tradicionais do país.

Portugal é um regime semipresidencialista, em que o Poder Executivo é compartilhado entre o presidente e o primeiro-ministro. A presidência é um cargo em grande parte cerimonial, mas exerce alguns poderes importantes, incluindo a dissolução do parlamento, a convocação de eleições legislativas antecipadas e o veto a leis.

Trajetória política e acadêmica

António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor. Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autônoma de Lisboa, e mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, é casado e tem dois filhos.

Foi colunista do semanário Expresso, cujos artigos estão compilados em seu livro Compromissos para o Futuro. Ele também e autor do livro Reforma do Parlamento Português - O controle político do governo.

Seguro foi líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, quando começou a se aproximar da cúpula do círculo do poder.

Sua ascensão se deve em grande parte a António Guterres, o atual secretário-geral da ONU, que em 1992 foi eleito secretário-geral do PS, mantendo o jovem político ao seu lado nos anos seguintes.

Seguro se elegeu deputado nas eleições legislativas de 1991. Com a vitória do PS nas eleições de 1995, ele assume as funções de secretário de Estado da Juventude, cargo do qual sairia para se candidatar, com sucesso, às eleições europeias de 1999, sob a liderança de Mário Soares.

Dois anos depois, em 2001, ele voltaria ao governo português como ministro-adjunto do primeiro-ministro. Pessoas próximas a Seguro afirmam que os dez anos de convivência com Guterres marcaram a sua forma de fazer política.

Período afastado da política

Em 2011, Seguro se elegeu líder do PS, o que o levou a ocupar o cargo de secretário-geral do partido, função que exerceu até setembro de 2014, após perder as eleições primárias do partido para António Costa.

Depois dos vários cargos políticos e partidários, a derrota para Costa o levou a se afastar da vida política e se limitar à condição de "militante de base".

Durante a última década, ele se dedicou às aulas na universidade evitando comentários políticos, com rara exceções.

Em novembro de 2024, em entrevista à emissora de notícias TVI/CNN, Seguro assumiu que pensava em se candidatar a presidente da República. No ano seguinte, ele se lançaria como pré-candidato sem esperar pelo apoio do PS, que viria meses mais tarde.

Campanha abalada pelas tempestades

Mais de 36 mil eleitores não puderam votar neste domingo em várias cidades onde as eleições foram adiadas até 15 de fevereiro devido às tempestades que atingiram o país nas últimas duas semanas. Entre as cidades atingidas estão Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã, que sofreram graves inundações.

A votação também foi adiada em algumas seções eleitorais de Santarém, Rio Maior, Leiria, Cartaxo e Salvaterra de Magos. A passagem da tempestade Marta pelo país deixou um bombeiro morto no sábado.

O primeiro-ministro português, Luis Montenegro, disse que as chuvas causaram uma "crise devastadora", mas que as ameaças à votação seriam superadas. A lei eleitoral permite apenas o adiamento em localidades específicas.

rc (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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