BC decreta liquidação do Banco Pleno e FGC prepara pagamento de R$ 4,9 bilhões
Com passivo bilionário e descumprimento de normas, instituição é retirada do mercado; FGC orienta uso de aplicativo para resgate de até R$ 250 mil
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou, nesta quarta-feira (18), que o Banco Pleno possui uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia, totalizando um montante de R$ 4,9 bilhões. A medida ocorre após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., regime aplicado quando uma entidade financeira perde as condições operacionais e tem suas atividades encerradas para que um liquidante venda bens e quite dívidas.
As instituições, que pertenciam ao grupo do Banco Master até serem vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, não integram mais o conglomerado original, o que leva o FGC a apurar a garantia dentro dos limites regulatórios.
Liquidação extrajudicial do Banco Pleno
Em comunicado oficial, o fundo garantiu que "Todos os créditos enquadrados no Regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado". Apesar do impacto para os investidores, o banco detinha uma participação pequena no sistema financeiro, controlando cerca de 0,04% dos ativos totais do setor. O FGC orienta que os beneficiários utilizem seu aplicativo oficial para agilizar o processo de pagamento, limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, realizando o cadastro básico para que, após o recebimento da lista oficial de credores, possam indicar a conta de titularidade para o depósito.
A decisão do Banco Central foi fundamentada pela deterioração financeira da instituição e pelo desrespeito a normas regulatórias. Segundo a autoridade monetária, "A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil." Com o decreto, os bens dos controladores e administradores foram tornados indisponíveis por lei, enquanto o BC segue apurando responsabilidades que podem resultar em sanções administrativas ou criminais.