Barack e Michelle Obama condenam morte de americano em operação de imigração nos EUA
Em nota conjunta, ex-presidente e ex-primeira-dama criticam atuação de agentes federais em Minneapolis e defendem parceria com autoridades locais
O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a ex-primeira-dama, Michelle Obama, emitiram um comunicado oficial neste domingo (25) condenando a morte de Alex Pretti, cidadão americano de 37 anos, ocorrida em Minneapolis. A morte foi causada por disparos efetuados por agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) no último sábado (24). Este é o segundo incidente fatal envolvendo forças de imigração na cidade em menos de um mês, após a morte de Renee Good em 7 de janeiro.
Na declaração conjunta publicada no Instagram, o casal descreveu o ocorrido como um sinal de alerta para a nação. Segundo o texto: "O assassinato de Alex Pretti é uma tragédia comovente. Também deve ser um alerta para todos os americanos, independentemente do partido, de que muitos dos nossos valores fundamentais como nação estão cada vez mais sob ataque".
Embora os Obama tenham pontuado que reconhecem a complexidade do trabalho dos agentes federais, ressaltaram a necessidade de uma atuação estritamente legal: "Mas os americanos esperam que eles cumpram suas funções de maneira legal e responsável e que trabalhem com, e não contra, as autoridades estaduais e locais para garantir a segurança pública".
O documento cita ainda o clima de tensão em Minneapolis, atribuindo-o à postura de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega): "Há semanas, pessoas em todo o país estão indignadas, com razão, com o espetáculo de recrutas mascarados do ICE e outros agentes federais agindo com impunidade e empregando táticas que parecem destinadas a intimidar, assediar, provocar e colocar em risco os residentes de uma grande cidade americana".
Barack Obama afirmou que o uso de "táticas sem precedentes" resultou na morte de dois civis. Ele também criticou a gestão atual pela falta de transparência e pela ausência de punições disciplinares:
"Em vez de tentar impor alguma aparência de disciplina e responsabilidade sobre os agentes que enviaram, o presidente e os atuais funcionários do governo parecem ansiosos para agravar a situação, ao mesmo tempo em que oferecem explicações públicas para os tiroteios contra o Sr. Pretti e Renee Good que não são baseadas em nenhuma investigação séria - e que parecem ser diretamente contraditas por evidências em vídeo".
O texto conclama o governo federal a colaborar com o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis "para evitar mais caos e alcançar objetivos legítimos de aplicação da lei". Ao final, o casal reforçou o apoio ao direito de manifestação: "Eles são um lembrete oportuno de que, em última análise, cabe a cada um de nós, como cidadãos, nos manifestarmos contra a injustiça, proteger nossas liberdades básicas e responsabilizar nosso governo".
Alex Pretti, que atuava como enfermeiro e possuía licença para porte de arma, foi morto sob a alegação federal de que teria sacado um armamento durante a abordagem. Entretanto, uma verificação de imagens realizada pelo The New York Times não encontrou indícios de que o enfermeiro tenha feito tal movimento ou de que os agentes soubessem que ele estava armado no momento da ação.
Ver essa foto no Instagram