Baixas russas disparam sob ataques de drones da Ucrânia
Relatório avalia que perdas da Rússia foram oito vezes maiores que as ucranianas no 1° semestre de 2026. Baixas mensais de Moscou superam ainda número de novos recrutas do país.A Ucrânia aumentou significativamente as perdas militares russas nos últimos meses, impulsionada principalmente pela expansão do uso de drones de combate, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), com sede em Washington.
O relatório, publicado nesta quarta-feira (01/07), afirma que, desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a Rússia sofreu cerca de 1,4 milhão de baixas militares - incluindo mortos, feridos e desaparecidos. Do lado ucraniano, o número de baixas é estimado em aproximadamente 600 mil.
"As baixas russas e ucranianas somadas já ultrapassaram 2 milhões", afirmou o CSIS.
A instituição estima que entre 400 mil e 450 mil soldados russos tenham morrido, em comparação com 125 mil a 150 mil militares ucranianos. Em janeiro, o instituto havia calculado as mortes russas em cerca de 325 mil.
Segundo o relatório, a proporção de baixas russas em relação às ucranianas, que geralmente variou entre 2 para 1 e 3 para 1 durante a guerra, chegou a uma estimativa de 8 para 1 no primeiro semestre de 2026, à medida que a guerra com drones da Ucrânia se tornou mais eficaz.
O número de mortes russas é mais do quádruplo das sofridas pelos militares dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, considerando todos os conflitos em que estiveram envolvidos, e mais de nove vezes o número de mortes sofridas pelos russos, considerando os mesmos termos de comparação.
Perdas russas superam quantia de novos recrutas
De acordo com o CSIS, as perdas militares mensais da Rússia agora superam o número de novos recrutas que ingressam em suas Forças Armadas.
O centro de pesquisas informou que suas estimativas são baseadas em dados de fontes militares, de inteligência e governamentais de diversos países. Embora o CSIS seja amplamente considerado uma organização de pesquisa confiável, os números de baixas na guerra não podem ser verificados de forma independente. Além disso, acredita-se amplamente que tanto a Rússia quanto a Ucrânia minimizam suas próprias perdas e exageram as do adversário.
O relatório também afirma que a ofensiva militar russa desacelerou. Segundo o estudo, as forças russas não conseguiram ampliar o território sob seu controle no primeiro semestre de 2026 pela primeira vez em anos e, em algumas áreas, chegaram a perder terreno para as forças ucranianas. Além disso, os avanços russos ao longo da linha de frente, que se estende por mais de mil quilômetros, também diminuíram de ritmo.
Escassez de combustíveis
A evolução dos ataques com drones ucranianos, sobretudo contra refinarias na Rússia, também tem levado a uma crescente escassez de combustíveis na Rússia.
Há meses, as Forças Armadas da Ucrânia vêm atacando instalações de infraestrutura energética em regiões russas e na Crimeia anexada. As ofensivas têm como alvo tanto as rotas de abastecimento russas nos territórios ocupados quanto importantes refinarias de petróleo dentro da Rússia.
Em junho, refinarias em Moscou, Nizhnekamsk, Tiumen e Volgogrado foram atacadas. Em maio, ocorreram ataques contra 16 refinarias. Alguns ataques não só resultaram em vitórias táticas para a Ucrânia, mas também humilharam o regime russo, produzindo imagens devastadoras de destruição que circularam pelo mundo.
Segundo a agência de notícias Reuters, a produção de gasolina caiu 25% em consequência desses ataques. Atualmente, a Rússia produz cerca de 85 mil toneladas de gasolina por dia, enquanto o consumo durante o verão no hemisfério norte chega a 110 mil toneladas diárias. Como resultado, imensas filas de carros têm sido registradas em postos de combustíveis do país.
md/cn (DPA, AFP, Reuters)
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