MPRS denuncia ex-secretária e outras sete pessoas por esquema de eutanásias ilegais de animais em Canoas
Ex-secretária de Bem-Estar Animal é apontada como líder do grupo acusado de determinar mortes sem justificativa técnica.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou nove pessoas por envolvimento em um esquema de maus-tratos contra animais domésticos em Canoas. Segundo a investigação, os crimes ocorreram ao longo de 2025 no Centro de Bem-Estar Animal do município e em outros locais de Canoas e Porto Alegre. Oito dos denunciados responderão por eutanásia ilegal.
De acordo com a denúncia, a então secretária de Bem-Estar Animal de Canoas comandava o grupo e determinava a realização de eutanásias sem exames laboratoriais ou laudos que comprovassem doenças ou condições que justificassem a morte dos animais. Conforme o MPRS, ela não possuía formação em Medicina Veterinária.
Outras oito pessoas também foram denunciadas por participação nos crimes. Entre elas está uma policial civil, acusada de acessar e repassar informações restritas à ex-secretária para facilitar a prática criminosa.
"A conduta é desprezível e de intensa crueldade, seja pela perspectiva da proteção do meio ambiente e das vidas dos animais, seja por considerar a dor causada nos tutores. Isso não se limita aos moradores de Canoas, mas reforça o sofrimento que eles viveram desde a enchente de maio de 2024. As eutanásias ilegais foram feitas em massa e com objetivos fraudulentos", declarou o promotor.
O Ministério Público ainda denunciou uma associação criada e mantida pela ex-secretária por participação em três episódios de maus-tratos. Conforme a investigação, a entidade era utilizada para arrecadar dinheiro sob a justificativa de custear tratamentos de animais, mas os valores eram revertidos para a ex-secretária e o marido.
Na ação, o MPRS solicita a aplicação de sanções previstas na legislação ambiental e penal, incluindo a proibição de guarda de animais, a perda de bens relacionados aos crimes e a perda de cargos e funções públicas dos envolvidos.
Responsável pela denúncia, o promotor de Justiça Leonardo Giardin de Souza afirmou que não há possibilidade de acordo para evitar o processo penal, uma vez que os crimes envolveram violência.
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