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Araújo dá posse ao 'mestre de obras' Otávio Brandelli

Diplomata será o número dois da pasta; função do cargo é administrar a 'máquina'

3 jan 2019
15h17
atualizado às 16h01
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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deu posse na tarde desta quinta-feira, 3, ao embaixador Otávio Brandelli no posto número dois da pasta, o de secretário-geral. Trata-se do cargo mais elevado da casa, que é exclusivo dos diplomatas de carreira.

Em seu discurso, Araújo fez uma analogia: o presidente da República seria o arquiteto, o ministro, o engenheiro e o secretário-geral, o mestre de obras na construção de uma nova política externa para o Brasil. Ele frisou que sua gestão não se limitará a administrar a pasta, e sim "construir algo". Brandelli, por sua vez, abriu seu discurso agradecendo sua "promoção" a mestre de obras.

O novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discursa após receber o cargo de Aloysio Nunes
O novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discursa após receber o cargo de Aloysio Nunes
Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

A brincadeira foi um dos momentos de exposição de uma amizade que os dois deixaram clara. Araújo contou que eles se tornaram amigos quando serviram em Bruxelas, nos anos 1990. "Olho para o Otávio e sei o que ele está pensando, qual é o trocadilho", disse o ministro, sorrindo. Brandelli confirmou, dizendo que a comunicação entre ambos é praticamente "telepática". Em sua fala, ele chamou o chanceler de "Ernesto" o tempo todo.

Gaúcho como Brandelli, Araújo terminou seu discurso dizendo que será necessário abrir uma exceção ao lema proclamado pelo presidente Jair Bolsonaro em sua posse, que a bandeira verde-amarela jamais será pintada de vermelho. "Exceto se for do Inter."

O posto de secretário-geral do Itamaraty, informou Brandelli, acaba de completar 100 anos. Ele contou que foi pesquisar qual era, originalmente, a atribuição do posto. E constatou que era "dedicar-se à tradição" do ministério. Essa tradição, disse ele, é formada pelo espírito público, a dedicação, o gosto pelos desafios intelectuais e a busca pela excelência. "Não é apego cego ao passado ou justificativa vã para o imobilismo", afirmou.

Responsável pela administração da máquina do Itamaraty, Brandelli afirmou que dará "atenção prioritária" a um problema que aflige o corpo diplomático: o fluxo de carreira. Brandelli admitiu que esse problema "aflige" seus colegas e prometeu mudanças para "preservar a capacidade do ministério de recrutar e manter os melhores quadros do Brasil."

Inchaço

Hoje, o Itamaraty convive com um inchaço nos níveis hierárquicos mais baixos, gerado pelo grande número de contratações feitas durante a gestão de Celso Amorim nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Em alguns anos, foram contratados por meio de concurso até 200 diplomatas em um único ano. Atualmente, o fluxo é de 30 pessoas por ano. Os funcionários que ingressaram no período de Amorim convivem com a falta de perspectiva de ascensão na carreira. A hierarquia da pasta tem um formato de "funil", e não há espaço para promover todos.

Numa referência ao discurso de Araújo feito na véspera, ele disse que a busca do conhecimento e da verdade passa pelo reconhecimento das dificuldades no serviço exterior. Ele prometeu valorizar não só os diplomatas, mas também os demais funcionários que atuam no Itamaraty. Citou como exemplo os funcionários terceirizados da lanchonete, que ele viu almoçando sentados no chão. "Acho indigno."

Carreira

Até agora, Brandelli ocupava o posto de diretor do Departamento do Mercosul, que passou por uma transformação no governo de Michel Temer (2016-2018). A suspensão da Venezuela foi, segundo afirmou, "um dos momentos mais instigantes" de sua carreira diplomática. O país foi suspenso não por romper com os princípios democráticos, mas por não haver cumprido compromissos para sua adesão. "Foi pura política e puro direito internacional", comentou, cumprimentando o ex-ministro Aloysio Nunes, presente à cerimônia.

Brandelli ocupou, durante quatro anos, a presidência do Instituto Brasileiro de Propriedade Industrial (Inpi), entre 2013 e 2017. Ele contou que especializou-se no tema no início da carreira. Foi convidado várias vezes para presidir a instituição, mas só "caiu em tentação" no oitavo convite.

Estadão

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