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Araújo critica globalismo na política externa brasileira

Em discurso, novo ministro das Relações Exteriores defendeu que Brasil precisa de política externa 'adequada aos dias de hoje'

2 jan 2019
20h20
atualizado às 20h29
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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quarta-feira, 2, ao assumir o cargo, que pretende implementar uma política comercial "adequada aos dias de hoje" e não presa ao "globalismo para agradar outras nações".

"Os acordos comerciais que o Brasil acertou no passado ou que ainda está discutindo partem de um princípio de submissão. Devemos negociar (com outros países) a partir de uma posição de força", afirmou. "O Itamaraty voltou porque o Brasil voltou."

Na fala, Araújo fez mais um aceno à política externa americana, ao dizer que vai dar o apoio à reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). O pleito é um dos principais de Donald Trump, que enviou seu secretário de Estado, Mike Pompeo, à posse de Jair Bolsonaro. No mesmo sentido, o chanceler disse que vai apoiar na ONU as agendas do Brasil e não das ONGs.

O novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discursa após receber o cargo de Aloysio Nunes
O novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discursa após receber o cargo de Aloysio Nunes
Foto: Gabriela Biló / Estadão

Elogios a Israel e Estados Unidos

Araújo elogiou no discurso de posse do seu cargo as políticas externas dos Estados Unidos, de Israel, e de países europeus, como a Itália, a Hungria e a Polônia.

Ao defender uma diplomacia brasileira preocupada com questões nacionais e contra o globalismo, Araújo disse que admira o "exemplo de Israel, que nunca deixou de ser nação mesmo quando não tinha solo". Daí adiante, citou os Estados Unidos, do presidente Donald Trump, e os países latino-americanos que, segundo ele, se "livraram do Foro de São Paulo". O novo chanceler disse também admirar a "luta do povo venezuelano contra a tirania de (Nicolás) Maduro".

Araújo disse admirar ainda as chancelarias italiana, húngara e polonesa. Os três países têm em comum o fato de ter tido uma guinada à extrema-direita nos últimos anos. "Nós admiramos aqueles (países) que se afirmam", comentou.

Mesmo sem citar nominalmente chanceleres anteriores a ele, Araújo disse que se arrisca a dizer que a "diplomacia brasileira estava fora de si mesma". "O Itamaraty não pode achar que pode ser melhor que o Brasil. Estou certo de fazer o Itamaraty mais fiel a si mesmo e ao Brasil", afirmou.

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Estadão
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