Alfredo, 100 anos: o homem que sobreviveu às duas maiores enchentes de Porto Alegre
Aos 100 anos recém-completados, ele carrega uma marca rara: sobreviveu às duas maiores enchentes da história da Capital gaúcha, a de 1941 e a de 2024.
Porto Alegre tem histórias que atravessam gerações — e Alfredo de Souza Lima é o retrato vivo disso. Aos 100 anos recém-completados, ele carrega uma marca rara: sobreviveu às duas maiores enchentes da história da Capital gaúcha, a de 1941 e a de 2024.
Em 1941, com apenas 15 anos, Alfredo ajudava no resgate de vizinhos no bairro Navegantes, manobrando um caíco em meio às ruas alagadas. Mais de oito décadas depois, o cenário se repetiu — mas com ele no papel oposto. Em maio de 2024, agora com 99 anos, foi resgatado de barco da casa onde vive há mais de 60 anos, no bairro Humaitá, Zona Norte da cidade.
A enchente histórica do Guaíba invadiu pela primeira vez o imóvel que sempre havia resistido às águas. Os danos foram altos: cerca de R$ 100 mil em prejuízos e semanas em abrigos improvisados ao lado da filha. Mesmo assim, Alfredo não perdeu a serenidade. "Vai dar tudo certo. Estamos vivos", repetia com convicção, tentando acalmar o momento de caos com sua sabedoria centenária.
Em junho, veio a celebração. A festa de 100 anos foi feita no quintal da casa, ainda com sinais da enchente, mas carregada de simbolismo. Foi ali que ele soprou as velas e celebrou não apenas o aniversário, mas também a vida — uma trajetória de resistência, resiliência e memórias profundas.
Apaixonado por leitura, cinema e torcedor do Internacional, Alfredo continua lúcido, bem-humorado e atento às transformações do mundo. Sobre a cheia mais recente, foi direto: "Essa foi muito violenta." Mas, como em 1941, sobreviveu. E segue firme, vencendo o tempo — e as águas.