Alexandre de Moraes se reune com cúpula da Polícia Federal
Encontro ocorreu no gabinete do ministro nesta terça-feira (6), mas STF e PF não divulgaram oficialmente o assunto discutido em meio às tensões envolvendo as investigações do Banco Master
O ministro Alexandre de Moraes reuniu-se fora da agenda oficial com a cúpula da Polícia Federal nesta terça-feira (6), em meio a tensões no STF geradas pelas investigações sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O caso revelou mensagens entre Vorcaro e Moraes, gerou atritos com o ministro André Mendonça e provocou crises no comando da PF. Diante do cenário, o presidente da Corte, Edson Fachin, acionou a PGR e defendeu apurações irrestritas sobre eventuais condutas de magistrados.
O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu integrantes da cúpula da Polícia Federal na tarde desta terça-feira (6), em seu gabinete na Corte. Participaram do encontro o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada, e dirigentes da Divisão de Crime Organizado (Dicor).
Nem o STF nem a Polícia Federal informaram oficialmente qual foi o assunto da conversa. O encontro também não constava previamente na agenda pública do magistrado. A reunião ocorre em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, que trouxeram para o centro das discussões contatos dele com integrantes do Supremo e questionamentos sobre a atuação da própria PF.
Caso Banco Master amplia tensão na Corte
Um relatório da Polícia Federal, por exemplo, apontou a existência de 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes entre 2024 e 2025. Após a divulgação dessas conversas, então, Moraes chegou a utilizar outro relatório de inteligência para pedir a abertura de uma investigação sobre possível abuso de autoridade por parte de André Mendonça.
O caso passou a alimentar discussões dentro do Supremo sobre a necessidade de aprofundar as apurações envolvendo autoridades mencionadas nos documentos relacionados ao Banco Master. A crise também alcançou o comando da PF. Em setembro, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada diante de suspeitas de que a corporação teria investigado ministros do Supremo sem autorização.
No dia seguinte, contudo, Flávio Dino determinou o retorno dos dois aos cargos. Andrei posteriormente negou irregularidades. O presidente do STF, Edson Fachin, encaminhou a questão à Procuradoria-Geral da República para análise.
Em 2 de outubro, o presidente do Supremo enviou um ofício à Polícia Federal defendendo que qualquer eventual participação de integrantes da Corte nas apurações do Banco Master seja investigada "sem exceção de pessoa". Agora, Fachin marcou uma audiência com Andrei Rodrigues para 13 de outubro.
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