Gigante chinesa dos ônibus elétricos quer 15% do mercado brasileiro
Empresa será representada por grupo brasileiro e tem planos para fábrica e produção local a partir do ano que vem
A gigante chinesa Zhongtong entrará no mercado brasileiro por meio do grupo TEVX com a meta de alcançar 15% de participação e capacidade para 900 veículos anuais. O plano prevê a instalação de uma fábrica nacional, com transferência de tecnologia para produzir chassis voltados a encarroçadoras locais. Inicialmente, a marca oferecerá seis modelos elétricos urbanos e rodoviários, com baterias CATL e autonomia de até 350 km. As primeiras dez unidades começam a circular no início de 2025.
Santiago, Chile - A gigante chinesa Zhongtong, que produz ônibus elétricos e faz parte do mesmo grupo da Sinotruk e da Weichai, vai fincar os pés no Brasil.
A empresa será representada no país pelo grupo TEVX, que já trabalhou com outra marca chinesa, a Higer.
Segundo o CEO da TEVX, Carlos Eduardo Souza, a marca chinesa já bateu o martelo para sua representação brasileira e tem planos ambiciosos: "Queremos 15% do mercado brasileiro e, em breve, vamos anunciar nossos planos para uma produção local, com capacidade para pelo menos 900 unidades por ano", disse o executivo à reportagem em uma visita ao Grupo Cabal, em Santiago, no Chile.
O Grupo Cabal, que faz a distribuição de veículos no país sul-americano, já comercializou 895 ônibus elétricos da Zhongton no Chile, que atualmente atendem a um público de 3,5 milhões de pessoas no sistema RED Santiago. Eles também venderam 100 ônibus elétricos da marca no Chile para o fretamento na mineração.
A empresa também representa as marcas Caio, encarroçadora brasileira de ônibus, e Irizar, no mercado chileno.
Souza explica que a TEVX é capacitada e tem experiência para oferecer soluções completas para os operadores brasileiros, indicando os modelos ideais para cada operação e, principalmente, atuando na curadoria e na consultoria para as infraestruturas de carregamento dos ônibus.
"Implementamos um grande número de ônibus elétricos no Brasil de outra marca e fazemos consultoria, inclusive, para as soluções financeiras. Temos também clientes brasileiros na manutenção de baterias para caminhões elétricos CATL das marcas XCMG e Sany", diz o executivo.
A TEVX Zhongton ainda faz mistério sobre as 10 unidades já comercializadas no Brasil que começarão a rodar no primeiro semestre do ano que vem e não revela, mas afirma que já tem local definido para sua fábrica no Brasil.
"Teremos fábrica no Brasil e, para ter um processo de fabricação local, é necessário haver transferência de tecnologia. Tive contato com as dez maiores fabricantes de ônibus elétricos da China e quando conheci a Zhongtong e tive a primeira reunião, fui convidado pela diretoria da empresa para assinar contrato e já definir a produção local, graças à expertise da TEVX e à nossa experiência no mercado", conta Carlos Eduardo.
Ele conta que a empresa quer conquistar 15% do mercado brasileiro, cerca de 900 unidades por ano. "Este é um volume que justifica a implementação de uma fábrica e uma produção local", complementa o executivo.
Segundo o CEO da TEVX, a Zhongtong é uma das três maiores fabricantes de ônibus elétricos da China e já entregou mais de 100 mil unidades, com capacidade para fabricar 30 mil unidades por ano.
Os ônibus da marca contam com baterias CATL do tipo LFP com autonomia de até 350 km, de acordo com o modelo e aplicação.
Inicialmente, a empresa vai trabalhar no Brasil com seis modelos elétricos: o TZ9, um miniônibus de 9 metros, o o TZ10, midi de 10 metros, o TZ12, básico de 12 metros, o TZ13, padron de 13 metros e o TZ18, articulado de 18 metros, todos voltados para o transporte urbano. Também está nos planos o modelo rodoviário TZR.
As primeiras unidades da TEVX Zhongtong a desembarcar no Brasil serão ônibus completos, com chassi e carrocerias em monobloco. "Mas serão modelos desenvolvidos e fabricados para a realidade brasileira, já com o projeto exclusivo para o Brasil", conta Carlos Eduardo Souza.
Segundo o executivo, o plano é também fazer a importação de chassis para serem encarroçados no Brasil, e, quando houver a produção local, atuar como as tradicionais, fabricando os chassis para receber as carrocerias de implementadoras como Caio, Marcopolo, Busscar, entre outras.
A reportagem viajou ao Chile a convite da TEVX Zhongtong.
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