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Alemanha vê "interferência" em celebração de Trump pela AfD

9 set 2026 - 12h45
(atualizado às 13h12)
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Resumo
O governo da Alemanha apontou interferência externa após Donald Trump celebrar a vitória do partido de ultradireita AfD nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, onde a sigla obteve 43,8% dos votos. O republicano atribuiu o resultado à rejeição às políticas de imigração. Em meio à tensão diplomática, o chanceler federal Friedrich Merz, cujo partido foi derrotado, adiou um telefonema com o presidente americano, enquanto Berlim reiterou que comentários sobre a política interna alemã são inaceitáveis.

Chanceler federal, Friedrich Merz, cancelou telefonema com o presidente dos EUA. Republicano atribuiu vitória estadual da ultradireita à imigração.O governo da Alemanhasugeriu nesta quarta-feira (09/09) que enxerga "interferência" externa na comemoração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt.

Apoio de Trump à AfD é motivo de tensão crescente entre a Casa Branca e o governo da Alemanha
Apoio de Trump à AfD é motivo de tensão crescente entre a Casa Branca e o governo da Alemanha
Foto: DW / Deutsche Welle

Horas depois da declaração do republicano, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, adiou um telefonema com Trump, em que os dois tratariam dos 25 anos do 11 de Setembro.

Não está claro se há relação entre os dois fatos, uma vez que o governo não explicou o motivo do adiamento. Tampouco se sabe se ou para quando a conversa será remarcada.

O porta-voz do governo federal, Stefan Kornelius, se limitou a dizer que, no passado, Merz já teria indicado frequentemente, "de maneira abstrata", que "interferências ou comentários sobre a situação política interna alemã, especialmente em relação a eleições" estão "fora de questão".

Em julho, Merz já declarara que a Alemanha não interfere em eleições americanas e, "inversamente, não quero que o governo americano ou instituições ligadas a ele interfiram nas eleições alemãs".

O resultado na Saxônia-Anhalt poderá levar a ultradireita de volta ao poder na Alemanha pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas, também, foi amplamente lido como um termômetro da insatisfação popular com a União Democrata Cristã (CDU). O partido de Merz, que até então era o primeiro partido no estado, acabou em segundo lugar, com 17,2% dos votos, contra os 43,8% obtidos pela AfD.

Trump: "Tornar Alemanha grande de novo"

Na própria rede social, Trump disse na noite de terça-feira: "O partido populista na Alemanha acabou de ter uma noite realmente incrível. Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentações de imigração absolutamente horríveis que têm prejudicado tanto a Alemanha. Eles estão em ascensão e não vão mais aceitar isso!"

Ele também utilizou a sigla "MGGA", no que parece ser uma adaptação do seu slogan "Make America Great Again" ("Tornar os EUA grandes de novo") para "Make Germany Great Again" ("Tornar a Alemanha grande de novo").

Na Saxônia-Anhalt, o diretório da AfD é considerado uma "organização extremista de direita" por autoridades de inteligência.

Em contrapartida, Merz se dissera, um dia antes da celebração de Trump, "profundamente chocado" com a derrota avassaladora sofrida pela CDU. "Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha", afirmou Merz, após reuniões com lideranças do partido. "Esse resultado eleitoral terá consequências."

Ele admitiu que seus baixos índices de popularidade nas pesquisas contribuíram para a derrota de seu partido: "Sei que eu, pessoalmente, fui um tema constante nesta campanha eleitoral".

Tensão crescente

É incomum que chefes de Estado e de governo de países democráticos comentem eleições regionais em outros países. No entanto, o trumpismo e a ultradireita alemã costumam cortejar um ao outro.

Logo após tomar posse em janeiro de 2025, o vice-presidente J.D. Vance expressou apoio velado à plataforma da AfD durante a Conferência de Segurança de Munique, o que gerou mal-estar com o governo em Berlim.

O secretário parlamentar do grupo do Partido Social-Democrata alemão (SPD), Dirk Wiese, demandou nesta semana uma reação mais incisiva do governo às novas declarações de Trump.

"É preciso falar claramente. Essa interferência não é aceitável. Creio que nós, como governo federal, de qualquer forma não podemos aceitar isso", afirmou.

Para marcar o 25 anos do 11 de Setembro, Merz declarou, por nota oficial lida pelo seu porta-voz, que a Alemanha continua pronta "para, juntamente com os EUA, defender os valores que nos definem e nos unem", sendo eles "a liberdade, a democracia e o respeito".

Nas próximas semanas, a Alemanha terá eleições estaduais em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde novos ganhos eleitorais são também esperados para a AfD.

ht/md (AFP, Reuters)

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