Advogado que atuou no caso Kiss virá réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Advogado conhecido por atuar em casos de grande repercussão é acusado de envolvimento com organização criminosa em investigação de lavagem de dinheiro.
O advogado Jean de Menezes Severo, amplamente reconhecido por sua atuação em júris de grande visibilidade, como os casos do menino Bernardo em Três Passos, do caso Rafael em Planalto e da tragédia da boate Kiss, foi denunciado pelo Ministério Público como um dos 24 acusados em uma investigação de lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionada a uma facção.
Jean Severo é apontado como membro de segundo escalão de uma organização com base no Vale do Sinos, mas ele alega ser vítima de perseguição por parte da Polícia Civil e do Ministério Público devido a sua atuação em casos de grande notoriedade.
A denúncia, que tem 108 páginas, foi enviada em 22 de agosto e aceita na íntegra pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, transformando os denunciados em réus. A acusação se baseia em um inquérito da Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro e tem como origem dados extraídos do celular de um dos denunciados.
Conforme a denúncia, Jean Severo "ultrapassou os limites da defesa dos interesses dos clientes e das responsabilidades da advocacia para a adesão à prática de crimes". Ele é descrito como homem de confiança do líder da facção, Antônio Marco Braga Campos, conhecido como Chapolin, que está isolado na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O advogado alega que teve contato com Chapolin apenas algumas vezes no parlatório, conforme as regras do regime federal.
A investigação aponta que o grupo utilizava contas de laranjas para movimentar dinheiro, evitando depósitos superiores a R$ 10 mil para evitar a detecção pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Além da acusação de lavagem de dinheiro, Jean Severo também foi denunciado por receptação, juntamente com outros réus. A denúncia alega que ele teria utilizado um veículo com placas clonadas e que a chave encontrada em sua casa era de outro veículo.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também foi informada sobre o caso pelo Ministério Público e afirmou que abrirá um procedimento no Tribunal de Ética e Disciplina após receber intimação.
A denúncia detalha a organização do grupo criminoso em quatro escalões, com Jean Severo sendo enquadrado no segundo escalão, responsável pelo apoio direto e gestão financeira. O advogado nega todas as acusações e afirma que a verdade será demonstrada pela defesa durante o processo judicial.