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Novo acordo restringe horários mas mantém vigília pró-Lula

Após quatro horas de discussão, militantes e moradores do bairro de Santa Cândida, em Curitiba,aprovaram restrições às manifestações

16 jul 2018
22h29
atualizado em 17/7/2018 às 07h32
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Moradores do bairro Santa Cândida e militantes pró-Lula firmaram um acordo para a continuidade dos protestos no entorno do prédio da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde abril após condenação em segunda instância no caso do triplex do Guarujá.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Em audiência de conciliação que durou quase quatro horas, ocorrida nesta segunda-feira, 16, integrantes do PT e da CUT se comprometeram em restringir os horários de manifestação, trânsito e reuniões na intitulada "Vigília Lula Livre", assim como não utilizar caixas de som e fogos de artifício nos protestos.

A partir de agora, as manifestações de "bom dia" e "boa noite" ao ex-presidente ocorrerão durante meia-hora pela manhã e à noite, excluídos os finais de semana, a cerca de cem metros do prédio da PF, e será excluído o "boa tarde". Nas segundas e quintas-feiras, quando o petista recebe visitas de religiosos, da família e de amigos, o "boa noite" será estendido para duas horas. Fora desses períodos, as reuniões só poderão ocorrer em imóveis particulares. Também fica restrita a circulação de manifestantes pelo bairro fora desses horários.

Nesta segunda, a assessoria da vigília informou que alugou mais um terreno a cerca de 10 metros da entrada da PF, onde serão montadas tendas para receber doações e para promoção de rodas de conversa do grupo. Ao todo, são quatro imóveis locados. Os outros servem como creche, cozinha e para reuniões. Além desses, há um acampamento intitulado Marisa Letícia, que abriga militantes de movimentos sociais durante a noite, mas, segundo PT e CUT, de responsabilidade dos próprios manifestantes.

Semanalmente, passam pelos locais cerca de 150 pessoas, em caravanas alternadas de origem de todo o Brasil, segundo os líderes.

O valor de locação dos imóveis não é informado e a origem da verba não é discurso unânime entre os coordenadores da vigília.

Segundo a presidente da CUT-PR, Regina Cruz, o dinheiro é de doações pelo site "vigilialulalivre.pt.org.br", no qual podem ser escolhidos valores que variam de R$ 25 a R$ 2 mil, em parcela única ou mensal. Ela afirma que, apenas no primeiro mês, o site recolheu cerca de R$ 500 mil. Já o presidente do PT do Paraná, Dr. Rosinha, afirma que a maior parte da verba e a responsabilidade pelos aluguéis é dos próprios militantes.

Audiência

A maioria dos moradores da região que estava presente na audiência de conciliação é contra a manutenção dos manifestos no local, o que provocou vários momentos de bate-boca com petistas na reunião. "A melhor solução é transferir o Lula dali, aí acabava com tudo", disse a aposentada Rosete Ferreira dos Santos. Ela afirmou que não é apenas o barulho diário que incomoda, mas a convivência com os militantes, que, segundo ela, perseguem e ameaçam moradores. "Não vai mudar nada, eles não respeitam", disse sobre o acordo.

Porém, havia na reunião representantes da vizinhança favoráveis a manutenção da vigília. Para eles, as manifestações promoveram maior movimento no comércio local e oportunizaram acesso a atividades culturais e políticas pelos moradores. "O bairro (Santa Cândida) é de periferia, dificilmente eles teriam acesso a grandes personalidades do mundo político, artístico e cultural", afirmou a advogada Tania Mandarino, que representou 30 moradores na audiência. Com o acordo, o processo envolvendo o interdito proibitório na região ficará suspenso pelo prazo de dois meses. Caso alguma das cláusulas seja descumprida, passa a valer outra decisão judicial, que limita os protestos para manifestações quinzenais.

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Estadão
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