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Ação de piratas ameaça tráfego marítimo na costa da África

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A ação de piratas no Golfo de Áden data do início dos anos 90, quando a Somália, país natal da maioria dos sequestradores, mergulhou em uma guerra civil que enfraqueceu o poder do governo e tornou o território uma terra livre para ação de milícias rebeldes. Marinhas de membros da Otan e de países asiáticos se engajaram na luta contra os piratas, que dificultam o comércio entre oriente e Europa ao atacar embarcações na costa somali. Em 2008, cerca de US$ 150 milhões foram adquiridos pelos piratas em recompensas.

Suspeitos de pirataria capturados pela Marinha americana no Golfo de Áden
Suspeitos de pirataria capturados pela Marinha americana no Golfo de Áden
Foto: AFP

Este é o dinheiro que ajuda a reequipar os grupos, que estão cada vez mais avançados em termos de tecnologia e organização. As sofisticadas operações de ataque aos navios de todos os tipos são feitas com o auxílio de telefones por satélite, aparelhos de GPS, armamentos como lança-granadas, rifles AK-47 e contatos quentes nos portos que detalham aos bandidos sobre a movimentação de embarcações.

Segundo a BBC, há três tipos de piratas nos pelo menos 5 bandos que atuam na costa somali, com pelo menos 1 mil homens ao todo. Pescadores locais são considerados os "cérebros" das operações pela habilidade e conhecimento do mar. A maioria deles acha que os barcos estrangeiros não tem direito de navegar na região e atrapalhar a pesca. Outro grupo é formado por ex-milicianos que descobriram na pirataria uma forma de ganhar mais dinheiro pelo uso da força. O último tipo é o piratada especialista técnico, capaz de operar equipamentos eletrônicos como aparelhos de GPS e outros mecanismos para navegação.

Para ganhar mais agilidade, os piratas geralmente utilizam lanchas com motores potentes - muitas vezes mais rápidas do que os pesados cargueiros. As lanchas, frequentemente, são lançadas de embarcações maiores posicionadas em locais estratégicos em alto mar. Para tomar o controle de navios, os piratas usam ganchos e barras de ferro para subir até o convés.

Os piratas então conduzem a embarcação capturada até o porto de Eyl, na Somália, o centro das operações da pirataria. Ali, eles geralmente desembarcam os reféns, que são mantidos até o pagamento de um resgate.

O navio Sirius Star, capturado em novembro de 2008, estava a uma boa distância ao sul da costa somali quando foi pego. A área na mira dos piratas inclui quase 25% da superfície do Oceano Índico, tornando o patrulhamento virtualmente impossível. O Bureau Marítimo Internacional está aconselhando os donos das embarcações a adotar medidas como ter vigias e navegar a uma velocidade que os permita deixar os piratas para trás.

Entretanto, os piratas se deslocam extremamente rápido e, em geral, à noite. Portanto, muitas vezes é tarde demais para a tripulação se dar conta do que está ocorrendo. Uma vez que os piratas tenham assumido o controle de um navio, a intervenção militar fica difícil por causa dos reféns a bordo. Não existe uma legislação internacional para os acusados de pirataria, apesar de muitos terem sido julgados no Quênia, enquanto outros presos por militares franceses estão respondendo a julgamento na França.

Alguns diplomatas argumentam que é necessária uma corte internacional para esse tipo de crime, que tenha o apoio da ONU e, além de uma prisão internacional para os condenados. Mas enquanto a Somália não tiver um governo efetivo, muitos acreditam que a "vida sem lei" que impera no país e em suas águas só tende a crescer.

Sequestro do Maersk Alabama
O caso do sequestro do navio cargueiro americano MV Maersk Alabama, no dia 8 de abril, foi o caso de pirataria de maior repercussão neste ano. Foi a primeira captura de um barco registrado com a bandeira dos EUA por piratas desde o início do século XIX. O bando somali estava muito bem equipado, pois havia obtido resgates no valor de dezenas de milhões de dólares nas semanas anteriores.

Richard Phillips, o capitão da embarcação, saltou do bote onde era mantido como refém pelos piratas e oficiais da Marinha americana atiraram nos sequestradores. Phillips foi sequestrado depois que quatro piratas atacaram o cargueiro, no qual 20 marinheiros viajavam rumo ao porto de Mombaça, no Quênia. O Maersk Alabama chegou em Mombaça com uma carga de contêineres de comida do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas.

O rosto de Phillips rodou o mundo depois que ele pediu que os membros da tripulação se trancassem em um camarote e se ofereceu como voluntário para garantir a segurança dos subordinados.

Com informações da BBC e EFE.

Fonte: Redação Terra
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