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À CPI, advogada de ex-médicos da Prevent fala em alinhamento de interesses com Ministério da Economia

28 set 2021 15h57
| atualizado às 16h07
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A advogada Bruna Morato, que representa ex-médicos da Prevent Senior, afirmou nesta terça-feira à CPI da Covid do Senado que havia um alinhamento de interesses do Ministério da Economia com o plano de saúde para que não fosse necessário haver lockdowns no enfrentamento à pandemia.

28/09/2021
Senado Federal/Roque de Sá/Divulgação via REUTERS
28/09/2021 Senado Federal/Roque de Sá/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

A defensora relatou que a intenção era que houvesse uma "esperança" para as pessoas poderem sair às ruas, citando a hidroxicloroquina, medicamento ineficaz contra Covid defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, médicos da Prevent fariam a defesa do uso e disseminação desses medicamentos.

"O que eles me explicaram foi o seguinte: existe um interesse do Ministério da Economia pra que o país não pare e, se nós entrarmos nesse sistema de lockdown, nós teríamos um abalo econômico muito grande. Então, existia um plano pra que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo", disse.

"É como se fosse uma troca, a qual nós chamamos na denúncia de pacto, porque assim me foi dito. Alguns médicos descreveram como aliança; outros médicos descreveram como pacto", reforçou.

A advogada afirmou que, em nenhum momento, se falou do nome do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas ela disse que eles falavam que havia um "alinhamento ideológico".

Segundo a advogada, que representa 12 médicos, o Ministério da Saúde à época não se alinhava aos interesses do governo sobre o uso do chamado kit Covid.

Procurados, o Ministério da Economia e a Prevent Senior não responderam de imediato a pedido de comentário.

Bolsonaro chegou a defender, em redes sociais, a Prevent Senior como um exemplo de sucesso no tratamento de Covid.

Em depoimento na semana passada à CPI, o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, negou que a operadora tenha utilizado um chamado "kit Covid", embora senadores tenham dito ter informações do uso de medicamentos sem comprovação de eficácia contra a Covid pela rede.

Segundo Batista Júnior, foram administrados anti-inflamatórios, corticoides, anticoagulantes, entre outras medicações.

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