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Professor Quilombola e voz da ancestralidade: historiador viraliza ao falar sobre apagamento histórico no Brasil

23 mai 2026 - 04h59
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Marú é um historiador quilombola de 27 anos
Marú é um historiador quilombola de 27 anos
Foto: Arquivo Pessoal

“Os meus ancestrais libertaram correntes e eu atualmente liberto mentes.” É assim que Marú, historiador quilombola de 27 anos, define o próprio trabalho nas redes sociais. Entre vídeos sobre ancestralidade afro-indígena, críticas ao eurocentrismo no ensino brasileiro e reflexões sobre identidade, o jovem do Rio de Janeiro vem conquistando milhares de pessoas ao transformar temas históricos em conteúdos acessíveis para jovens periféricos.

Nascido e criado no Rio, Marú carrega as raízes da comunidade quilombola Caiana dos Crioulos, localizada em Alagoa Grande, na Paraíba. Filho de pais quilombolas que deixaram o território em busca de trabalho na capital fluminense, ele cresceu distante fisicamente da comunidade, mas nunca desconectado dela.

“Então, apesar das minhas raízes estarem lá, parentes estarem lá, se eu for lá a qualquer momento ter onde eu dormir, eu nasci na cidade. Então, eu tive essa busca de resgatar a minha ancestralidade”, contou em entrevista ao Terra Nós. Foi justamente dessa busca que nasceu o interesse pela História. Segundo Marú, a expectativa ao entrar na universidade era encontrar conhecimentos quilombolas e indígenas que haviam se perdido ao longo das gerações da própria família. O que encontrou, porém, foi outra realidade.

“Eu cheguei na faculdade de história e eu não tive acesso a esse conhecimento. Eu me deparei com uma história muito eurocêntrica e isso me virou um desconforto muito grande porque eu percebi que os conhecimentos que vêm do meu povo não estão sendo repassados, estão sendo apagados. Os conhecimentos indígenas não estão sendo repassados, estão sendo apagados”, afirmou o jovem formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Influenciador faz sucesso nas redes sociais
Influenciador faz sucesso nas redes sociais
Foto: Arquivo Pessoal

Marú passou a pesquisar formas de recuperar esses saberes ancestrais. A partir desse processo nasceu o Sistema Yunaam, proposta desenvolvida pelo historiador e apresentada por ele como um modelo político, econômico e cultural baseado em referências afro-indígenas, latino-americanas e brasileiras.

Segundo ele, a ideia surgiu a partir de um “profundo desconforto” com estruturas que, em sua visão, não representam a realidade cultural do país. “Desde 1889, a gente vive numa república, que é uma república copiada do iluminismo, da Revolução Francesa. Então, a gente tem um sistema político e econômico que não é português, que não é indígena, que não é africano. Ou seja, a gente tem um sistema que não representa a nossa cultura”, disse.

“A história aponta o futuro”

Ao falar sobre o papel da educação, Marú relaciona os saberes ancestrais à construção de futuro. Para ele, povos indígenas, quilombolas e africanos historicamente atribuíram grande importância às figuras responsáveis por transmitir conhecimento entre gerações.

“Dentro dos povos indígenas, afroindígenas, africanos também, quem detém a história, quem repassa a história para as futuras gerações, tem um papel social muito importante”, afirmou.

Ele afirma que grande parte da história ensinada nas escolas ainda é construída a partir de perspectivas europeias, sem considerar como os próprios povos originários e quilombolas se enxergam. “A história que é contada tem um eurocentrismo gigantesco. É sempre na forma que o europeu lê as outras culturas, não da forma que a própria cultura se lê”, explicou.

Na visão dele, continuar falando sobre ancestralidade e identidade nas redes sociais também significa enfrentar resistências e negacionismo. Segundo Marú, muitas pessoas reagem com surpresa ao entrarem em contato com interpretações históricas diferentes das ensinadas tradicionalmente nas escolas. “Vai dar um estalo que vai quebrar tudo que ela acreditou ao longo da vida”, afirmou.

Redes sociais como ferramenta de educação

Hoje, os vídeos publicados por Marú abordam temas como geopolítica, história do Brasil, culturas afro-indígenas e identidade. O diferencial, segundo ele, está na tentativa de transformar assuntos complexos em conteúdos acessíveis.

“Sempre busco, como professor, tornar o meu discurso acessível até para uma criança. A sabedoria do professor é tornar um assunto complexo simples”, afirmou. Nas redes, o retorno do público costuma reforçar a percepção de que muitos dos temas apresentados por ele nunca foram discutidos em sala de aula. “A maioria dos comentários é: ‘Nossa, eu não fazia ideia disso’, ou ‘Nossa, eu nunca ouvi falar isso na escola’”, contou.

Além dos conteúdos nas redes, Marú prepara o lançamento do livro “Sistema Yunaam”, previsto para setembro. Segundo ele, a ideia é transformar os conceitos discutidos online em aplicações práticas para diferentes áreas da sociedade. “Esse conhecimento não é só saberes teóricos. É um código de comportamento, um código de ética, um código de respeito à natureza”, afirmou. 

Fonte: Portal Terra
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