Mãe relata ter sofrido abuso sexual do próprio obstetra em Minas: ‘Mulher não tem paz nem na gestação’
Karen Seabra contou nas redes sociais sobre comportamento inadequado do profissional e até exames de toque sem necessidade
A modelo e personal stylist Karen Seabra usou as redes sociais para relatar que sofreu abuso sexual do próprio obstetra durante a sua primeira gestação. A mãe conta que o médico fazia “brincadeiras” com conotação sexual e até realizava exames de toque de maneira inadequada.
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Embora o nome do profissional não tenha sido revelado, ela afirmou que passava por consultas com ele desde 2022, mas que ele sempre manteve o profissionalismo. Foi quando ela engravidou que tudo mudou. “Todo o respeito que havia entre o médico e a sua paciente deixou de existir”, pontua.
“Quando eu chegava lá ele falava assim: ‘essa barriga marcando as pessoas vão saber o que você anda fazendo’”, afirma. A partir do terceiro mês, ele pedia para que ela tirasse a roupa para fazer exames e fazia o exame de toque, indicado somente para o final da gestação.
“Eu sou leiga, mãe de primeira viagem, não tendo conhecimento nenhum. Ele fazia os exames, pegava na minha barriga, media, nem tinha barriga ainda no início para poder medir. Pegava no meu peito, e fazia o exame de toque. Gravidinha de primeira viagem, você não precisa fazer o exame de toque. O toque é só no final da gestação, quando você está dilatando para ganhar o seu bebê”, explica.
Karen relata ainda que saía do consultório sangrando e com cólicas, devido ao desconforto que o exame a causava. Foi quando contratou uma enfermeira obstétrica que soube que o comportamento do médico estava incorreto. “Em todas as consultas ele falava assim: ‘deixa só ver se tá fechadinho’. E de acordo com a minha psicóloga, todo tarado usa diminutivos, de palavras diminutivas”, exemplifica.
Comportamentos inapropriados
Sua última consulta com ele, em 26 de março, ela avisou que iria viajar ao Rio de Janeiro. O médico mais uma vez realizou o exame de toque, o que a machucou. Mesmo se queixando de dor, o profissional não parou. “Ele estava olhando para o meu rosto, ele não me respondeu, ‘olha, estou fazendo o exame de toque, porque preciso saber se o seu útero está fechado para você viajar, não ter perigo de você ganhar um bebê lá’, não, ele só falou, ‘é o toque’, e continuou com aquele movimento desrespeitoso”, descreve.
Ainda segundo a modelo, durante as visitas, o médico pedia sempre para “testar” a textura do mamilo dela, sob o pretexto de que havia indicado uma pomada para não racha-los quando fosse amamentar.
Em uma das ocasiões, ele apertou o peito da gestante, sem sequer usar luvas, até que saísse o colostro. “Ele falou: ‘nossa já está saindo o colosso, a partir de agora você não pode dar mamar para o seu marido mais porque senão vai estimular mais o leite e o seu leite vai começar a pingar’”, relata ao dizer que nunca deu liberdade para que alguém falasse desta forma com ela.
Karen também afirma que, quando ia levantar da maca, ele sempre a ajudava, mas de uma maneira muito exagerada. “Ele me segurava de um jeito que parecia que eu ia cair do prédio. Aquele bafo respirando aqui em cima de mim”.
‘Brincadeiras’ com o marido dela
Depois de passar por várias situações constrangedoras, ela pediu para que o marido a acompanhasse nas consultas. Antes disso, não via necessidade. “Quando chegou lá, sabe como ele recebeu o meu marido? ‘Ah, então você veio, pra saber o quê? Se você é o pai?’. E meu marido, não é de brincadeira, respondeu: ‘não entendi’”. E mesmo assim o médico repetiu a ‘piada’. Na mesma ocasião, o obstetra não fez o exame e nem se levantou da cadeira.
Ela relata ainda que tentou ignorar o constrangimento, pois não estava preparada para passar por isso na gestação. “Não esperava viver isso. É, gente, infelizmente a mulher não tem um momento de paz nem na gestação”, desabafa.
Foi então que decidiu denunciar o caso à Unimed BH e também para o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, além das redes sociais, com o objetivo de alertar outras gestantes.
“Não vou ensinar minha menina a se calar, não vou ensinar minha menina a aceitar. E quem tocar na minha filha, eu falo, vai conhecer o inferno, porque a nova Karen não tem medo mais de denunciar e de falar para o mundo que nenhuma mulher precisa aceitar um assédio sexual e achar que é normal. Passei por mais uma vez por isso para aprender e eu aprendi”, finaliza.
O Terra entrou em contato com a Unimed BH e com o CRMMG, mas não teve retorno até o momento.
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