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Gabriela Augusto é fundadora do Transcendemos, que promove diversidade e inclusão no ambiente corporativo  Foto: Arquivo pessoal

'Diversidade nas empresas era uma pauta alienígena': empreendedora transforma o mercado com vivência pessoal

Gabriela Augusto percebeu logo no início da carreira como mulher trans negra que havia poucas pessoas como ela nas empresas

Imagem: Arquivo pessoal
  • Maria Luiza Valeriano Maria Luiza Valeriano
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18 mai 2026 - 04h59
Gabriela será palestrante do Tempo de Mulher
Gabriela será palestrante do Tempo de Mulher
Foto: Arquivo pessoal

Aos 33 anos, Gabriela Augusto se tornou uma voz importante quando o assunto é diversidade e inclusão no ambiente corporativo brasileiro. Mulher trans, negra e criada em uma família simples na cidade de São Paulo, ela transformou experiências pessoais de preconceito em um modelo de negócio voltado a mudar a cultura das empresas e agora será uma das palestrantes do Tempo de Mulher, promovido por Ana Paula Padrão, no dia 30 de maio, no WTC Events Center.

Formada em Direito pela PUC-SP, Gabriela conta que foi justamente durante a graduação que percebeu a dificuldade do mercado de trabalho em lidar com temas relacionados à diversidade. Enquanto passava pelo processo de transição de gênero, ela se deparou com barreiras que acabariam definindo o rumo da sua carreira.

Como muitas mulheres, ela aprendeu que o mercado esperava que ela se moldasse às expectativas alheias. Enquanto muitas desenvolvem vozes mais firmes e ações mais diretas, como mulher trans, ela viveu um paradoxo: como garantir respeito sem se masculinizar?

"Parte do meu trabalho envolve educação, envolve conscientizar as pessoas de que liderança não é um atributo masculino, e mulheres podem, devem ser líderes" -- Gabriela Augusto ao Terra

Transcedemos

Gabriela conta ao Terra como decidiu começar o negócio
Gabriela conta ao Terra como decidiu começar o negócio
Foto: Arquivo pessoal

"Por conta da minha própria vivência pessoal, me deparando com uma série de preconceitos, eu pensei: o que eu posso fazer para que outras pessoas não passem pelo que eu estou passando?", disse ao Terra. Foi então que decidiu direcionar sua atuação para empresas que ainda não sabiam lidar com questões relacionadas à acessibilidade, população LGBT, igualdade racial e inclusão de mulheres.

Ao procurar o primeiro emprego, Gabriela percebeu que não via pessoas parecidas com ela em posições de liderança. A ausência de representatividade fez com que ela questionasse se conseguiria ocupar esses espaços, mas também a motivou a pensar em maneiras de transformar o cenário corporativo.

Segundo ela, a mudança exige uma revisão profunda da forma como o mercado encara diversidade. "Isso demandaria uma mudança de mindset em todo o mundo corporativo, para entender a diversidade como um valor e não como um custo".

Foi dessa ideia que nasceu a Transcendemos, empresa de consultoria especializada em diversidade e inclusão. Gabriela afirma que sempre pensou em impacto em larga escala. "Como impactar positivamente o maior número possível de pessoas? Isso necessariamente envolve a criação de um modelo de negócio", explica.

Hoje, a empresa atua em duas frentes principais: educação corporativa e consultoria estratégica. O trabalho inclui treinamentos, palestras, rodas de conversa, análises internas e desenvolvimento de campanhas voltadas para inclusão de diferentes grupos sociais.

"A gente pode entender, por exemplo, como se sentem os colaboradores de uma empresa, ou como estão os clientes que ela gostaria de atingir", explica. A partir desses dados, a consultoria ajuda a criar estratégias que podem envolver desde contratação até ações de comunicação.

Para Gabriela, um dos principais erros das empresas é tratar diversidade apenas como uma ação de marketing pontual. Ela critica iniciativas que dialogam só com os próprios grupos marginalizados, sem envolver o restante da sociedade.

"Quando a gente fala de igualdade de gênero, muitos eventos acabam atingindo só mulheres", exemplifica. "No mês do orgulho LGBT, por exemplo, isso não deve atingir só pessoas LGBTs. Pessoas não LGBTs também precisam entender a importância desse assunto".

Ela também alerta para o risco do ações como o chamado "pinkwashing", quando marcas usam pautas LGBTQIA+ só para melhorar a imagem pública -- sem mudanças concretas. Segundo Gabriela, é possível identificar empresas realmente comprometidas pela consistência e transparência das ações.

"Empresas verdadeiramente inclusivas não vão fazer uma ação só no mês da mulher ou só no mês do orgulho LGBT", diz. "São empresas que revelam seus números, seus objetivos e o que estão fazendo para alcançar essas metas".

Avanço não é linear

Ao analisar o cenário atual do mercado de trabalho, Gabriela afirma que o avanço da inclusão não acontece de maneira linear e que o ambiente corporativo reflete tensões sociais e políticas. Ela cita o crescimento de movimentos conservadores e discursos anti-diversidade nos últimos anos como um desafio importante.

"A gente está vivendo um momento delicado de alguns retrocessos", afirma. "Nenhum direito conquistado é permanente e tudo está em disputa".

Mesmo diante das resistências, ela diz continuar motivada pela possibilidade de construir um ambiente mais igualitário. "Todo mundo ganha com uma sociedade onde as pessoas são valorizadas independentemente da cor da sua pele, independentemente do seu gênero", defende.

Sobre a participação no Tempo de Mulher, Gabriela afirma que o evento representa um espaço importante de troca entre lideranças femininas. "É fundamental que a gente se entenda e se fortaleça enquanto grupo", afirma.

"Nós mulheres não somos todas iguais", diz. "Somos plurais e a nossa força vem dessa pluralidade".

Fonte: Portal Terra
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