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Procurador associa feminismo a transtorno mental e choca MPF

Em e-mail para integrantes do Ministério Público, Anderson Vagner Gois dos Santos diz ainda que mulheres têm "obrigação sexual" com maridos

20 jul 2022 - 11h48
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Mensagem com defesa de estupro marital fez com que o procurador se tornasse alvo da Corregedoria do MPF
Mensagem com defesa de estupro marital fez com que o procurador se tornasse alvo da Corregedoria do MPF
Foto: Reprodução

O procurador da República Anderson Vagner Gois dos Santos, de São Paulo, provocou indignação no Ministério Público Federal (MPF) ao atacar feministas e a defender que as mulheres têm "débito conjugal" com os maridos em um e-mail enviado na segunda-feira (18) a centenas de integrantes do órgão em todo o país.

No e-mail, intitulado "Feministos e Feministas", Santos escreveu: “A feminista normalmente é uma menina que teve problemas com o (sic) pais no processo de criação e carrega muita mágoa no coração. Normalmente é uma adolescente no corpo de uma mulher. Desconhece uma literatura de qualidade e absorveu seus conhecimentos pela televisão e mais recentemente pela internet. “Na maioria das vezes, a sua busca por empoderamento é na verdade uma tentativa de suprir profundos recalques e dissabores com o sexo masculino gerado pelas suas próprias escolhas de parceiros conjugais. Muitas em verdade tem vergonha da condição feminina. Acredito que daqui a algum tempo deverá existir um CID para esse transtorno mental.”

CID é a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. O teor da mensagem fez com que o procurador se tornasse alvo de representações na Corregedoria do MPF.

Em outro trecho do e-mail, Santos argumenta que "o progressismo nos convenceu que o cônjuge não tem qualquer obrigação sexual para com o seu parceiro, levando muitos à traição desnecessária, consumo de pornografia e ao divórcio.” E completou: “Esse é um drama vivido muito mais pelos homens diante das feministas ou falsas conservadoras. A esposa que não cumpre o débito conjugal deve ter uma boa explicação sob pena de dissolução da união e perda de todos os benefícios patrimoniais.” A argumentação provocou repulsa generalizada por defender o estupro marital.

Na edição do "Jornal das Dez" (Globo News) da noite de terça (19), a jornalista Aline Midlej rechaçou a mensagem de Santos e afirmou que "o feminismo não é um transtorno mental, mas uma prática que deveria habitar qualquer cidadão comprometido com os princípios de igualdade e respeito."

À GloboNews, o procurador explicou que o comentário sobre "débito conjugal" foi realizado na rede interna do MPF para levantar o debate sobre a monogamia e se deveria existir a criminalização do adultério. O questionamento, segundo Santos, surgiu após decisões na justiça que levam em conta a falta de sexo para anular casamentos.

Fonte: Redação Nós
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