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Preservativos na terceira idade: por que uso é fundamental?

Machismo, desinformação e uso de apps de relacionamento são os fatores por trás do aumento de casos de HIV e ISTs

21 fev 2022 07h00
| atualizado em 22/2/2022 às 17h13
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Em 2019 houve um aumento de mais de 300% no número de idosos contaminados pelo HIV
Em 2019 houve um aumento de mais de 300% no número de idosos contaminados pelo HIV
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Embora os números estejam desatualizados por causa do atraso de diagnósticos e da menor procura por consultas médicas em decorrência da pandemia, especialistas vêm observando um aumento do número de casos de HIV, vírus da imunodeficiência adquirida, e ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) em pessoas com mais de 60 anos. Em 2019, para se ter uma ideia, houve um aumento de mais de 300% no número de idosos contaminados pelo HIV, segundo o último Boletim Epidemiológico sobre HIV/Aids, de 2020.

As mudanças comportamentais dos últimos anos têm impacto nesse cenário. "A sociedade, culturalmente, já se adaptou ao uso de medicamentos para a disfunção erétil, como o Viagra. O número de divórcios tem aumentado, e muita gente com mais de 50 anos vem se inscrevendo em aplicativos de relacionamento, o que facilita muito os encontros sexuais", comenta o ginecologista Carlos Moraes, que atua nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre, em São Paulo (SP). "Tenho atendido muitas pacientes maduras com diagnóstico de IST", completa.

Sexo de mais, proteção de menos. Assim como Moraes, o geriatra Natan Chehter, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a maior parte dos homens idosos não tem o hábito de usar preservativo. "Certamente tiveram uma educação mais machista do que as novas gerações e dispensam a camisinha sem se dar conta das possíveis consequências", fala Chehter.

Para os dois médicos, a falta de representatividade nas campanhas de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis revela o tabu que envolve a sexualidade na terceira idade. "São pessoas que têm acesso à internet e estão nas redes sociais, mas como o tema não costuma ser ali apresentado, pensam que o problema não existe. Quando procuram os médicos, já é para buscar tratamento, em vez da desejada prevenção", diz Moraes. "Nas campanhas de sexo seguro, como as da época de Carnaval, por exemplo, as imagens só mostram pessoas jovens. A sexualidade do idoso não é considerada, tornando essa faixa etária vulnerável à dispensa do preservativo", sentencia Chehter.

 

Fonte: Redação Nós
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