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Participação de mulheres na liderança de companhias abertas ainda é baixa

Levantamento do IBGC mostra que, de 337 empresas pesquisadas, nenhuma tem pelo menos 50% de mulheres em seu quadro de liderança

27 abr 2022 05h10
| atualizado às 11h06
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Participação de mulheres na liderança de companhias abertas ainda é baixa, diz pesquisa
Participação de mulheres na liderança de companhias abertas ainda é baixa, diz pesquisa
Foto: Pixabay

Mulheres em posições de liderança ainda são minoria nas empresas de capital aberto, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) neste mês. Foram pesquisadas 337 companhias abertas, que têm ao todo 5.424 profissionais atuando no conselho de administração, no conselho fiscal, na diretoria, ou no conselho de administração e na diretoria ao mesmo tempo. Desse total de profissionais, apenas 14,3% são mulheres.

Apesar de apontar que a participação das mulheres ainda é muito menor do que a dos homens, a pesquisa também indica a presença de pelo menos uma mulher em grande parte das companhias: 78,9% das empresas contam com mulheres em seus conselhos ou na diretoria, sendo que 61,1% delas têm mulheres no conselho de administração; 33,2% têm mulheres no conselho fiscal; 38,9% têm mulheres na diretoria; e 4,2% têm mulheres ocupando cargo de conselheira de administração e diretora ao mesmo tempo.

"Existe uma evolução da participação das mulheres na liderança, mas ela é gradual e lenta", diz Luiz Martha, gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC. "Há bastante discussão sobre diversidade, mas precisamos fazer movimentos mais fortes e incisivos para conseguir mudar essa situação mais rapidamente. Só a discussão não está sendo suficiente, é preciso mais ação para, de fato, fomentar essa mudança", diz.

Segundo ele, uma ação essencial para aumentar o número de mulheres na liderança é a criação de metas. "Se a empresa tem metas, isso entra no plano dos administradores para que sejam tomadas ações concretas para de fato que esse número evolua. É possível também criar grupos para discutir vieses cognitivos que barram a subida de mulheres dentro das empresas. Sobre a questão da maternidade, é possível ter medidas para as mulheres que têm filhos, como ter licença-paternidade, além da licença-maternidade, e horários flexíveis", afirma Luiz Martha.

Nem 50%

O levantamento do IBGC também aponta que, das 266 empresas que têm mulheres na liderança, nenhuma chega a ter nem 50% desses cargos mais altos ocupados por elas:

  • 74 empresas possuem até 10% dos cargos de liderança ocupados por mulheres;
  • 114 empresas têm entre 10,01% e 20%;
  • 58 empresas têm entre 20,01% e 30%;
  • 18 empresas têm entre 30,01% 40%;
  • 2 empresas têm entre 40,01% e 46,7%.

As áreas de formação mais informadas pelas mulheres nas posições de liderança foram administradora de empresas (19,8%), advogada (14,7%), economista (13,3%), engenheira (12,2%) e contadora (8,9%).

"A questão da diversidade não só tem o aspecto ético, por ser a coisa certa a se fazer, mas também tem o aspecto de geração de valor", diz Luiz Martha. "Precisamos da diversidade na liderança porque isso vai gerar valor para a empresa. Com ideias e perfis diferentes na liderança, há uma maior contribuição para que sejam tomadas decisões melhores e para que sejam traçados planos melhores para o futuro da organização."

O levantamento, em sua segunda edição, foi realizado com base nos Formulários de Referência 2021, referentes a 2020, entregues pelas empresas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para compor a amostra, o IBGC considerou apenas os formulários de empresas dos níveis Bolsa, Bovespa Nível 1, Bovespa Nível 2 e Novo Mercado da B3, que estivessem em fase operacional e se enquadrassem na Categoria A na CVM, o que significa que precisam cumprir mais exigências na divulgação das informações e não têm restrição de emissão de valores mobiliários.

Estadão
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