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Filho de Eliza Samudio fala pela primeira vez sobre goleiro Bruno: 'Tenho pena'

Bruninho joga no gol e assinou primeiro contrato de formação com o Athletico-PR no mês passado

4 mar 2024 - 11h36
(atualizado às 11h55)
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Fruto do relacionamento entre Eliza Samudio e o goleiro Bruno Fernandes, Bruninho falou pela primeira vez sobre o pai, condenado pela morte da mãe em 2013. Em entrevista ao programa Geral do Povo, da Rede TV, o garoto de 14 anos, que hoje atua nas categorias de base do Athletico-PR como goleiro, afirmou que não tem muito a comentar sobre o ex-jogadores do Flamengo e, quando questionado se "sentia ódio", falou que não.

Bruninho assinou contrato de formação com o Athletico-PR nesta quinta-feira.
Bruninho assinou contrato de formação com o Athletico-PR nesta quinta-feira.
Foto: Divulgação/West Sports / Estadão

"Tenho nada, tenho pena só. É só isso que tenho para falar. Ele tinha uma carreira muito incrível pela frente e destruiu tudo", disse o garoto. "Era um bom atleta, só que não era uma boa pessoa", acrescentou em outro trecho da entrevista.

Ao falar sobre os sentimentos que teve na época em que descobriu a verdade sobre o pai, após a revelação ser feita por Sônia Moura, sua vó e tutora legal, Bruninho mostrou indiferença. "Fiquei normal, porque para mim, tanto meu pai de sangue quanto minha mãe que já se foi, eram pessoas desconhecidas para mim. Não conheci, nunca vi na minha vida. Para mim, não fez tanta diferença."

Bruninho assinou contrato de formação com o Athletico-PR no mês passado.
Bruninho assinou contrato de formação com o Athletico-PR no mês passado.
Foto: Divulgação/Welt Sports / Estadão

A escolha de jogar na posição de goleiro, como Bruno, não tem nenhuma relação com o ex-jogador do Flamengo. "Eu estava jogando em uma escolinha. Um goleiro toda hora não podia ir para o treino e eu falei: "deixa que eu vou". E estou aí até hoje", explicou o jovem atleta do Athletico-PR.

A avó Sônia, a quem Bruninho chama de mãe, também falou ao programa e contou como foi revelar a verdade ao menino. "Eu falava somente da mãe, nunca fazia referência ao pai. Ele devia ter 8, 9 anos. Ele chegou e perguntou para mim: 'E o meu pai? Tem onde a gente ir?'. Eu expliquei, dava uma enrolada. Aí um dia ele chegou e foi categórico: 'se está morando longe, a gente pode pegar ônibus, avião'. Aí eu falei para ele: 'seu pai está preso'. E ele perguntou: 'Foi preso por quê? Ele roubou ou foi pego com droga?' Eu falei, nem uma coisa nem outro. 'Então ele matou alguém', ele disse. Eu falei: 'matar não, mas foi responsável pela morte de uma pessoa'. Daí, ele vira e fala para mim: 'foi minha mãe?'. Eu falei: 'foi'.

Primeiro contrato assinado

Bruninho Samudio assinou, aos 14 anos, seu primeiro contrato com o Athletico-PR, em 22 de fevereiro deste ano, dia em que a mãe, morta por Bruno Fernandes em 2010, completaria 39 anos. O garoto já vinha atuando no time paranaense desde o ano passado, mas ainda não possuía vínculo oficial.

Agora, Bruninho tem um contrato de formação, que dá a ele a garantia de assistência educacional, entre outros tipos de suporte, e assegura ao clube contrapartidas financeiras e desportivas no futuro. Vínculos profissionais só podem ser assinados por atletas a partir dos 16 anos. Nascido em uma data próxima à do aniversário da mãe, Bruninho fez 14 anos dia 10 de fevereiro, e mora no Paraná com a avó. Os dois saíram de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, para investir na carreira do menino como atleta.

Bruno já questionou paternidade

O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado, em 2013, a 22 anos e três meses de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, reconheceu a paternidade de Bruninho na Justiça em 2012. A defesa de Bruno, contudo, entrou com uma ação para anular a decisão, com base no fato de não existir um exame de DNA. O ex-jogador estava em regime semiaberto desde 2019 e, em janeiro do ano passado, ganhou liberdade condicional da Justiça do Rio.

Eliza foi assassinada poucos dias depois do nascimento de Bruninho. Ela queria que Bruno assumisse a paternidade do menino e, em meio aos seus esforços, foi à Justiça para denunciar agressões e tentativas de forçá-la a abortar praticadas pelo então goleiro do Flamengo.

Estadão
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