Existe gente com deficiência no País?
Governo retoma o plano Viver Sem Limite, o trabalho sobre a avaliação biopsicossocial recomeça do zero, a reforma tributária altera políticas sociais para a população com deficiência, mas ninguém comenta, critica, elogia, analisa ou parece ter interesse.
Tem um vazio que destaca a falta de representatividade.
Ações que alteram de maneira profunda a vida das pessoas com deficiência parecem insignificantes, mas existem ao menos três grandes movimentos no País que vão causar fortes mudanças.
Está em curso uma consulta pública sobre a retomada do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência 'Viver sem Limite 2', com espaço aberto para opiniões e a inclusão de propostas. A empregabilidade e a educação inclusiva são pilares fundamentais, mas tratados nessa consulta de forma reduzida e pulverizada.
O grupo de trabalho sobre a avaliação biopsicossocial da deficiência foi recomposto pelo governo Lula, recomeçou do zero, embora tenha sido divulgado que nenhuma informação será descartada, inclusive o duvidoso relatório produzido pela gestão Bolsonaro.
E a reforma tributária deve alterar muitas políticas sociais para a população com deficiência, especialmente as isenções de impostos, com uma dependência direta de leis complementares que ainda não existem. Enquanto isso, os direitos conquistados ficam estagnados.
Como sempre ocorre, dentro da nossa bolha, nos conselhos, nas instituições, no eventos, estamos conversando, debatendo, alertando a respeito das transformações.
Fora do nosso isolamento, não há qualquer reação de figuras públicas, da grande imprensa, dos influenciadores, de celebridades ou de parlamentares, no Congresso Nacional, nas assembleias estaduais ou nas câmaras municipais.
Tem um silêncio que destaca a falta de representatividade, um vazio, a falta de personas com ímpeto, conhecimento e possibilidades de levantar discussões abrangentes sobre nossas temáticas e fazer a sociedade sequer pensar na existência de gente com deficiência.