Executado há 70 anos, homem negro acusado de estupro é inocentado nos EUA após revisão
Tommy Lee Walker foi condenado pelo estupro de uma mulher branca, apesar de estar acompanhando nascimento do filho no momento do crime
Setenta anos depois de ter sido condenado à morte e executado pelo Estado do Texas, nos EUA, Tommy Lee Walker foi oficialmente declarado inocente de forma póstuma. A decisão, anunciada nesta semana por um tribunal de Dallas, reconhece que a condenação imposta ao jovem negro de 19 anos nos anos 1950 representou um "profundo erro judicial" e causou danos irreparáveis não apenas a ele, mas também à sua família e à comunidade.
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Walker havia sido considerado culpado pelo estupro e assassinato de Venice Parker, uma mulher branca morta em 1953 nas proximidades do aeroporto Dallas Love Field. À época, o crime provocou comoção e desencadeou uma série de ações policiais marcadas por racismo. Sem provas forenses ou pistas concretas, centenas de homens negros foram detidos e interrogados. Meses depois, uma denúncia levou a polícia até Walker.
Segundo o Innocence Project, Parker, balconista e mãe, foi estuprada e morta a facadas enquanto aguardava em um ponto de ônibus para voltar para casa. Um policial que chegou ao local afirmou ter ouvido a vítima identificar seu agressor como um homem negro.
Walker sempre sustentou sua inocência. Sem antecedentes criminais, ele afirmou que, no momento do crime, estava acompanhando o parto de sua namorada, que deu à luz seu único filho, Edward Smith. O álibi foi confirmado por dez testemunhas durante o julgamento.
Ainda assim, na ausência de provas, a acusação se apoiou em uma suposta confissão, que Walker posteriormente retirou. Para o tribunal, "a única prova direta que liga Tommy Lee Walker a esse crime é uma confissão obtida por meio de táticas coercitivas". A decisão reconheceu que houve uma série de irregularidades no processo que condenou o jovem.
"Foi difícil crescer sem um pai", disse Edward Smith em nota. "Quando eu estava na escola, as crianças falavam de seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos, que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz".