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Executado há 70 anos, homem negro acusado de estupro é inocentado nos EUA após revisão

Tommy Lee Walker foi condenado pelo estupro de uma mulher branca, apesar de estar acompanhando nascimento do filho no momento do crime

23 jan 2026 - 16h44
(atualizado às 17h00)
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Tommy teve álibi sólido, mas promotoria agiu de forma coercitiva
Tommy teve álibi sólido, mas promotoria agiu de forma coercitiva
Foto: Reprodução/Biblioteca Pública de Dallas

Setenta anos depois de ter sido condenado à morte e executado pelo Estado do Texas, nos EUA, Tommy Lee Walker foi oficialmente declarado inocente de forma póstuma. A decisão, anunciada nesta semana por um tribunal de Dallas, reconhece que a condenação imposta ao jovem negro de 19 anos nos anos 1950 representou um "profundo erro judicial" e causou danos irreparáveis não apenas a ele, mas também à sua família e à comunidade.

Walker havia sido considerado culpado pelo estupro e assassinato de Venice Parker, uma mulher branca morta em 1953 nas proximidades do aeroporto Dallas Love Field. À época, o crime provocou comoção e desencadeou uma série de ações policiais marcadas por racismo. Sem provas forenses ou pistas concretas, centenas de homens negros foram detidos e interrogados. Meses depois, uma denúncia levou a polícia até Walker.

Segundo o Innocence Project, Parker, balconista e mãe, foi estuprada e morta a facadas enquanto aguardava em um ponto de ônibus para voltar para casa. Um policial que chegou ao local afirmou ter ouvido a vítima identificar seu agressor como um homem negro.

Walker sempre sustentou sua inocência. Sem antecedentes criminais, ele afirmou que, no momento do crime, estava acompanhando o parto de sua namorada, que deu à luz seu único filho, Edward Smith. O álibi foi confirmado por dez testemunhas durante o julgamento.

Ainda assim, na ausência de provas, a acusação se apoiou em uma suposta confissão, que Walker posteriormente retirou. Para o tribunal, "a única prova direta que liga Tommy Lee Walker a esse crime é uma confissão obtida por meio de táticas coercitivas". A decisão reconheceu que houve uma série de irregularidades no processo que condenou o jovem.

"Foi difícil crescer sem um pai", disse Edward Smith em nota. "Quando eu estava na escola, as crianças falavam de seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos, que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz".

Fonte: Portal Terra
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