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Capacete e batom vermelho: ela fez seis cursos para operação de máquinas e trabalhou na obra Metrô de São Paulo

O Instituto Mulheres em Construção (IMEC) oferece capacitações totalmente gratuitas em três cidades do País

8 mar 2026 - 04h58
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ONG completa 20 anos capacitando mulheres para o mercado da construção civil:

Um capacete, um protetor auricular e um batom vermelho. Estes são os acessórios que acompanham Chalaine Araújo, ou Chay, como prefere, em seus dias de trabalho. A mulher, de 37 anos, se redescobriu profissionalmente na área da construção civil e hoje conta com orgulho sobre sua rotina como operadora de plataforma móvel. Aos finais de semana, ainda acrescenta ao currículo os trabalhos avulsos de instalação de ar-condicionado. 

Chay faz parte de um grupo de cerca de 10 mil mulheres que passaram pelo Instituto Mulher em Construção (IMEC), ao longo dos últimos 20 anos. Ela confessa que nunca se imaginou na área, mas durante um período desempregada e cuidando sozinha de três filhos, ao saber da oportunidade de capacitação que o instituto oferecia, a agarrou como se sua vida dependesse disso --e hoje acredita que, de certa forma, dependia. 

Chalaine fez outros seis cursos de operação de máquinas pesadas e mais capacitações depois que terminou a primeira formação com o IMEC
Chalaine fez outros seis cursos de operação de máquinas pesadas e mais capacitações depois que terminou a primeira formação com o IMEC
Foto: Divulgação

“O Instituto abre uma visão que a gente não tem do mundo. A gente não se sente capaz de fazer tal coisa, nem cogita entrar para uma construção civil. ‘Fazer o que na construção civil?’. Pode fazer o que quiser”, diz Chay, que já concluiu ao todo seis cursos para operação de máquinas pesadas e está no último semestre de um curso técnico em eletrotécnica. 

Depois de realizar a primeira formação, em 2024, no IMEC, ela foi chamada, junto com outras mulheres da turma, para trabalhar em obras da Linha 15 do Metrô de São Paulo. A participação naquele curso só foi possível devido às condições oferecidas para as mulheres interessadas: elas não têm custo nenhum, nem com locomoção, materiais ou alimentação. 

“Tudo isso está sendo financiado por alguma empresa parceira. A gente tem alguns modelos de parcerias que a gente oferece para as empresas. Um deles é o Cimento Batom, que é esse curso de capacitação, teórico e prático, e também de desenvolvimento psicossocial das mulheres, onde a gente passa uma trilha de desenvolvimento com elas, e tudo isso é custeado por essas empresas, que podem ou não contratá-las ao fim das capacitações”, explica Camila Alhadeff, CEO do IMEC. 

Camila detalha que muitos dos parceiros do instituto são empresas ligadas à área da construção civil ou indústrias que têm interesse em gerar emprego e capacitar essas mulheres. Apesar disso, ela afirma que a ONG não tem nenhum parceiro fixo e está sempre em busca de novos investimentos. 

Como nasceu o instituto

O IMEC foi fundado em 2006 pelas mãos da ativista Bia Kern, 67, em Canoas, no Rio Grande do Sul. Ela conta que, antes, trabalhou na Fundação da Mulher Gaúcha, que atuava em 276 municípios do Estado, levando projetos para as mulheres. “Mas eu não via um que trouxesse grana mesmo”, relembra. 

Bia Kern, de 67 anos, fundou o IMEC em 2006
Bia Kern, de 67 anos, fundou o IMEC em 2006
Foto: Divulgação

“E eu sempre achava a construção civil uma ferramenta muito forte, porque nós mesmos construímos a nossa casa quando a gente era pequeno com a nossa mãe, que era muito forte. Num determinado momento ela ficou sozinha com os sete filhos, então tem toda uma história por trás da história”, diz. 

Em 8 de março daquele ano, Bia foi pedir apoio a uma loja de material de construção para o projeto piloto do que viria a ser o Instituto Mulheres em Construção. “Eu sabia que as lojas davam alguns cursos gratuitos para homens. E eu queria transformar essas aulas para homens em para mulheres, exclusivamente. E que essas aulas práticas beneficiassem alguma atividade na comunidade, como creche, asilo, centro comunitário. E foi assim que a gente começou”, conta. 

Carreira na construção 

Quenia Santos, de 58 anos, participou da primeira leva de formação do IMEC. Hoje, ela é dona de sua própria empresa na área de construção, a Mujer Renovación. O nome foi escolhido em espanhol porque Quenia é natural de Montevideo, no Uruguai, mas se estabeleceu na cidade de Canoas. 

Quenia deixou o posto de aluna e se tornou instrutora no instituto
Quenia deixou o posto de aluna e se tornou instrutora no instituto
Foto: Divulgação

Ela começou com o curso de pintora em 2006; dois anos depois, fez o de alvenaria, e foi se especializando, até que deixou a posição de aluna e se tornou instrutora no próprio Instituto. 

“Não sou nem mais pintora. Sou empreiteira. Eu já atuo na área da construção civil há quase 20 anos tanto na pintura, em permeabilização, reboco, alicerce, telhado, tudo um pouco… E gosto muito dessa transformação toda”, diz. 

“Costumo dizer que antigamente a gente passava em frente às obras e recebia assobios. Hoje em dia, não tem mais isso. A gente conquistou um respeito, conquistou um espaço. Então, quer dizer, eu sou formada em secretariado, sou secretária, mas aí eu tive perdas, tive tristeza, e quis transformar a minha vida. Quis botar cor, e através de um anúncio de 25 mulheres há quase 20 anos atrás, eu me inscrevi, não tinha terminado o curso e estava trabalhando”, conta. 

Apesar do avanço, Quenia considera que ainda há muito preconceito por mulheres na construção civil, mas que tem conquistado seu espaço. Já Chalaine, que trabalha como subordinada a chefes homens, sente que precisa se impor para ser respeitada. Ela também afirma que costuma “se fechar” para que as pessoas não confundam seus trejeitos animados com algo mais. 

Atualmente, o Instituto Mulheres em Construção oferece aulas nas cidades de Canoas (RS), Porto Alegre (RS) e em São Paulo (SP). A meta é expandir para outros Estados à medida que surgirem mais recursos financeiros. 

Fonte: Portal Terra
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