Renault quer fabricar seus carros duas vezes mais rápido para acompanhar a China — será que vai dar certo?
Diante do avanço das fabricantes chinesas, o grupo francês quer aplicar a toda a sua futura linha de veículos o método que permitiu dar origem ao novo Twingo
Durante o congresso Automotive News Europe, realizado em 10 de junho, François Provost, CEO da Renault, resumiu em poucas palavras o desafio enfrentado pela montadora: a verdadeira ameaça já não é o tamanho das fabricantes chinesas, mas sua capacidade de desenvolver veículos muito mais rapidamente do que suas concorrentes europeias.
O novo diretor-geral do grupo, que assumiu o cargo em julho de 2025, acredita que a Renault precisa aprender com as fabricantes chinesas e ser capaz de acompanhar seu ritmo, tanto em termos de desenvolvimento quanto de competitividade tecnológica.
O exemplo que hoje serve de referência interna é o do novo Twingo E-Tech. Esse carro elétrico urbano foi desenvolvido em apenas 21 meses, cerca de duas vezes mais rápido do que os programas elétricos anteriores da marca, como o Renault 4 e o Renault 5. Um desempenho que se apoia em uma profunda reformulação dos métodos de trabalho.
Nos próximos cinco anos, a Renault planeja lançar 36 novos modelos. Todos eles deverão respeitar um ciclo de desenvolvimento de aproximadamente 24 meses, enquanto os padrões europeus ainda variam, em geral, entre três e cinco anos, dependendo do segmento.
O método Twingo: menos burocracia
Para entender essa mudança de paradigma, é preciso olhar para Xangai. Desde 2024, a Renault conta na metrópole chinesa com o seu Ampere China Development Center. Esse centro de pesquisa e desenvolvimento, composto por cerca de uma centena de engenheiros, desempenhou um papel decisivo na ...
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