Oficinas autorizadas cobram mão de obra mais cara para carros elétricos: "Têm que compensar o fim da troca de óleo"
Com mecânica simplificada e menos visitas ao pós-venda, veículos a bateria reduzem o faturamento das concessionárias, que elevam o valor da hora trabalhada para cobrir investimentos e perdas de receita
Para compensar a queda no faturamento gerada pela menor necessidade de manutenção dos carros elétricos — que demandam até 54% menos serviços que os térmicos —, oficinas autorizadas na Europa estão encarecendo a mão de obra. Na Alemanha e na Espanha, as tarifas por hora chegam a ser até 30% maiores, atingindo inclusive reparos comuns como funilaria. Embora o setor alegue custos de transição e novos equipamentos, executivos admitem que a alta visa cobrir o fim de serviços como a troca de óleo.
Carros com motor a combustão possuem cerca de 2.000 peças móveis, enquanto um modelo elétrico tem em torno de vinte. Essa simplicidade estrutural resulta em manutenções periódicas bem mais simples e baratas — até 54% menores em rotinas comparativas. No entanto, o faturamento das oficinas em reparos de elétricos caiu cerca de 28%, levando concessionárias autorizadas a inflacionar as tarifas de mão de obra para recuperar a margem perdida.
A disparidade nos preços por hora
Em países europeus como a Alemanha e a Espanha, a diferença nas tabelas de preços é expressiva:
- Alemanha: Associações do setor denunciam cobranças de mão de obra até 30% maiores para modelos elétricos em relação aos térmicos — ultrapassando 200 euros por hora em concessionárias e chegando a picos de até 400 euros. A distorção atinge até serviços de funilaria e pintura, idênticos em qualquer motorização.
- Espanha: Dados de entidades automotivas indicam que o preço da hora de trabalho para elétricos subiu 16%, com 80% das autorizadas cobrando mais de 75 euros por hora.
A prática já gera críticas internas. Executivos de concessionárias admitem abertamente que muitos colegas aumentam os valores apenas para cobrir a falta de serviços corriqueiros, como trocas de óleo, velas e correias.
Custos de transição X queda estrutural de demanda
Os estabelecimentos justificam os reajustes apontando os investimentos necessários para atender à nova frota:
- Equipamentos especializados: Ferramentas isoladas, scanners de diagnóstico ...
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