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Em 1970, os EUA tiveram uma ideia maluca para construir estradas. 56 anos depois, asfaltar com vidro deixou de ser ficção científica

O que começou em uma rua experimental da Califórnia acabou rodando em larga escala no asfalto da Austrália

3 nov 2026 - 12h08
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Resumo
Em 1970, a Califórnia testou com sucesso o "glasphalt", inovação que substituiu a brita do asfalto por vidro reciclado para combater o acúmulo de lixo em aterros. Composta por 63% de garrafas trituradas, a mistura provou sua viabilidade técnica e abriu caminho para a pavimentação sustentável ao longo das décadas seguintes, sendo posteriormente adotada em grande escala em metrópoles como Nova York e em rodovias australianas.
California
California
Foto: Xataka

Em outubro de 1970, uma rua da Califórnia se tornou o cenário de um experimento bastante improvável: substituir boa parte da brita do asfalto por vidro de garrafas descartadas. Como veremos a seguir, a estrada funcionou, mas a parte mais interessante veio depois. Ao longo das décadas seguintes, outras cidades levaram essa ideia muito mais longe — desde as vias reluzentes de Baltimore até toneladas de vidro reciclado sob o tráfego de Nova York e as rodovias australianas de hoje.

Uma rua feita de garrafas

Tudo começou em 26 de outubro de 1970, quando trabalhadores iniciaram a pavimentação de uma rua no parque industrial de Fullerton, na Califórnia, usando um material que mais parecia saído de uma usina de reciclagem do que de uma obra viária. O composto foi batizado de glasphalt: uma mistura de asfalto tradicional com vidro triturado proveniente de garrafas usadas.

O teste cobriu um trecho de aproximadamente 183 metros de extensão com uma camada de cerca de 7,6 centímetros de espessura. A iniciativa respondia a um problema crescente da época: milhões de embalagens de vidro iam parar em aterros sanitários todos os anos, e os pesquisadores queriam checar se esses recipientes poderiam virar matéria-prima para a construção pesada.

63% da mistura era vidro

A receita foi ousada: o agregado mineral era composto por 63% de vidro triturado, 36% de pó de rocha e 1% de cal hidratada, tudo envolvido pelo ligante asfáltico tradicional. As garrafas passavam por moinhos de martelos para serem ...

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