Nos anos 90, o Japão zombou da Alemanha pelo ABS nas motos; vinte anos depois, os alemães montaram uma fábrica lá e acabaram rindo deles graças à KTM
O ABS em motos foi motivo de chacota durante anos, mas a Alemanha insistiu até transformá-lo em um padrão inquestionável
No começo dos anos 90, falar de ABS em uma moto soava como uma solução à procura de um problema. As esportivas eram leves, os freios já eram potentes e o discurso dominante era simples: se você sabe frear, não precisa disso. E, se não sabe, nenhum apetrecho eletrônico vai salvá-lo.
No Japão, que já vinha há décadas ditando o ritmo em motores, chassis e confiabilidade, a ideia de colocar uma central eletrônica entre o manete e o pneu não despertava exatamente entusiasmo. A ideia foi facilmente rejeitada.
Quando o ABS era uma má ideia (e o Japão não estava errado)
O problema é que o ceticismo não era apenas ideológico. Em certo sentido, os japoneses tinham razão. Os primeiros sistemas eram, simplesmente, ruins. Intervinham tarde, cortavam de forma brusca e alongavam as distâncias de frenagem em muitas situações reais. Não era só sensação: acontecia mesmo. Por muitos anos, o ABS em motos freava diferente, não melhor. E isso deixou marcas. Muitos dos preconceitos atuais nasceram aí, numa época em que confiar na eletrônica era, objetivamente, um ato de fé.
Enquanto isso, a Alemanha fez algo pouco comum na indústria das motos: insistir sem resultados imediatos. Ninguém acreditava naquilo, exceto eles. A Bosch vinha, desde meados dos anos 80, investindo tempo e dinheiro em um sistema que não convencia quase ninguém. Abriu centros de desenvolvimento no Japão, trabalhou com fabricantes locais e deu passos pequenos, lentos e muitas vezes frustrantes. Não havia revoluções, apenas ...
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